Monday, August 14, 2017

TURISMOFOBIA?

(clicar para ampliar)


Banhistas na praia de Barceloneta (Barcelona) ontem, domingo 13 de Agosto

"Quantos turistas cabem em Espanha?" - pergunta no El País de hoje a propósito das medidas restritivas à entrada desmedida de turistas em Barcelona. 

E em Portugal? Alguém já fez as contas?
Boom do imobiliário e turismo aumenta a receita fiscal em 80 milhões só em IMT
Quando o investimento produtivo regride e a especulação expande a procura de imobiliário, a trajectória  da economia é sinistra. 

"O que é demais passa a excesso"
"O que é demais é moléstia"
"O que é demais é erro"
Filosofia Popular


Sunday, August 13, 2017

TUDO NA MESMA, DEPOIS DE PEDROGÃO GRANDE

D. sabia que nós íamos a caminho da A8 e telefonou-nos a avisar que tinha lido na internet que aquela auto estrada estava cortada na zona de Torres Vedras.
Nesse momento ainda estávamos na A17, a uns vinte quilómetro antes da possibilidade de desvio para a A1, em Leiria.

Tentámos contactar o 112 para para confirmar se o corte da A8 ainda se mantinha e se não iríamos encontrar situação semelhante na A1, para onde nos iríamos desviar se a A8 continuasse cortada.
Não obtivemos resposta porque a chamada, passados largos minutos, caiu. 
Voltámos a ligar, e só então, fomos atendidos. Do outro lado da linha responderam-nos que no 112 não têm informações sobre cortes de estradas por causa de incêndios florestais e que devia ligar para a GNR, para o número 1820 (chamada de valor acrescentado ...).

Ligámos para o 1820, foi-nos confirmado, após alguma espera, o corte na A8 e dito que não havia notícias de corte na A1 a partir de Leiria. Agradecemos e sugerimos que informassem os meios de comunicação social, nomeadamente a Antena 1 da RTP, para conhecimento útil dos que circulavam aquela hora, uma vez que vínhamos a ouvir aquela rádio para saber notícias, pelo menos durante os noticiários, e nada havia sido referido a propósito do corte na A8 em Torres Vedras no noticiário das 18. Também nos quadros avisadores não havia qualquer informação útil, indicavam inutilmente apenas a hora naquele momento na A17. 

Em conclusão: os meios de comunicação social, nomeadamente de rádio e televisão, que sugam até ao tutano as imagens dos fogos florestais em transmissões repetidas ad nauseam, ignoram e não informam os que circulam pelas estradas do país acerca dos perigos resultantes de incêndios florestais que os aguardam mais à frente. 
O 112 limita-se a informar que não tem informação e remete-nos para a GNR;
Da RTP não há informação oportuna;
A GNR informa mas o utente paga a chamada de valor acrescentado;

Isto quando o país continua a ser violentamente assaltado por uma vaga de incêndios de dimensões nunca antes atingidas, mês e meio depois da tragédia de Pedrogão Grande. 

E os militares? O que fazem 35 mil militares perante este inimigo que semeia o pânico de norte a sul e chegou mais uma vez à  Madeira?
E a Justiça? Que eficácia tem a justiça na dissuasão dos criminosos?
E a senhora ministra da Administração Interna porque espera para retirar consequências políticas desta tragédia de que também é culpada? Porque ela mesma reconheceu já ter havido "descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional de Protecção Civil no teatro de operações em especial com outros agentes de protecção civil". 
Houve, e continua a haver, senhora Ministra.

Thursday, August 10, 2017

APOCALIPSE NOW


c/p WP

Há 72 anos, a 6 e 9 de Agosto de 1945, Hiroshima e Nagasaki foram destruídas por bombas nucleares demonstrando que a capacidade de aniquilação total da espécie humana passava  estar ao alcance de qualquer tresloucado que as circunstâncias colocassem em lugar decisivo para desencadear uma guerra nuclear global. 
Desde então, o mundo viveu sob o signo do equilíbrio do terror. 
Nada garante, contudo, que um dia destes, num futuro mais ou menos próximo ou mais ou menos longínquo, o terror desequilibre e à espécie humana esteja reservado o destino dos dinossauros. 
Sem curiosos inteligentes que olhem em museus os traços dos seus ossos.   

    HABILILEGALIDADES A VER SE PEGAM

    - Recebeste ontem ou anteontem uma mensagem da MEO?
    - Talvez.
    - E já respondeste?
    - Não. Tinha de responder?
    - Tens de responder. Se não a partir de Setembro passam a cobrar-te mais 3,98 euros por mês por um serviço que nem solicitaste nem queres usar!
    - Como assim?
    - É como te digo. Já telefonei e confirmei: se não telefonares a recusar, passas a pagar o que nem pediste nem consomes. É uma habilidade. Para estes e outros fornecedores com milhões de clientes, estas habilidades garantem-lhes receitas de muitos milhões.
    - Mas são habilidades ilegais!
    - Pois são. Mas quem é que se vai dar ao trabalho de contestar? Por esta  e por outras é que também se enchem os tribunais de processos de cobrança de dívidas aos ilegais habilidosos.


    "A sua preferência merece ser premiada! Por isso atribuímos 2GB adicionais de internet GRATIS ao seu telemóvel, para usar até 31-08. Apos esta data, pode manter os 2GB extra com desconto garantido de 60p/cento (apenas 3,98 Eur/mes por todos os cartoes do seu pacote MEO) durante 24 meses. Aproveite esta oferta sem fidelização e exclusiva para actuais clientes. Se preferir não beneficiar destas vantagens, ligue gratis 800200023. Obrigado!"

    ---

    Act. Acabo de receber mensagem do Público sobre este assunto: 

    Deco denuncia ao regulador campanha da Meo que considera ilegal. Meo oferece Internet aos clientes em Agosto, mas obriga a pagar após essa data se não rescindirem. aqui

    Wednesday, August 09, 2017

    O CUSTO DO ISCO

    Há cerca de quinze anos, o BES remunerava os depósitos a prazo com taxas rondando os 5% quando a generalidade do sistema financeiro - o BPN foi excepção crónica - não ia além dos 2, pouco por cento. 

    Era um sinal de alarme. (Muitos, entre os quais me encontro, desconfiaram da fartura e não filaram o engodo. Outros aproveitaram, "os bancos não vão à falência", e disseram-se lesados quando o isco lhes estourou na boca exigindo aos contribuintes o pagamento do preço do estoiro). 

    Dez anos mais tarde, e depois de muito foguetório de resultados, o segundo maior banco privado português claudicou. O sr. Ricardo Salgado estampou-se, embalado pelas suas ambições pessoais e pelas exigências da família que é numerosa e mal habituada, fugiu em frente protegido por vários comparsas coniventes, atropelando as mais elementares regras do negócio. Foi, muito tardiamente, surpreendido pelo supervisor em flagrante delito, mas este, em vez de lhe bloquear imediatamente as golpadas ainda lhe permitiu à última hora alargar os rombos no casco apodrecido.
    Depois a prodigiosa imaginação dos banqueiros, em modo delirante, inventou uma criatura espúria a que deram o nome de Fundo de Resolução com o qual supuseram ter parido um novo banco sem mácula do pecado original para ser vendido e, com o produto da venda ou parte dela, pagar aos contribuintes, financiadores do Fundo de Resolução. O ministro das finanças replicou, na altura, qual papagaio louro a balançar-se no poleiro, o que tinham dito os seus antecessores a propósito de incidentes semelhantes: os contribuintes não serão chamados a pagar os custos da resolução do BES. Mentiram.
    Após várias tentativas, disseram que o Lone Star comprou  o Novo Banco por tuta-e-meia. Mas o novo proprietário ainda não tomou conta do negócio e as perdas, gordas, do NB continuam a escorrer por conta dos contribuintes, digam o que disserem os políticos envolvidos.

    "A concretização da venda do NB ao Lone Star depende da troca de obrigações de 36 emissões, num valor global de 8300 milhões de euros por depósitos, uma operação feita a preços de mercado que nalguns casos representam perdas imediatas de 90%."


    Agora sabe-se que,
    "O Novo Banco já está a desafiar os clientes de retalho para a oferta de compra de obrigações. A possibilidade de fazerem um depósito que paga até 6,5% para minimizar perdas é um dos argumentos usados." - aqui
    "Justiça: Uma espada pronta a cair sobre o Novo Banco.
    Os processos colocados contra o Novo Banco e o BdP são por causa da resolução do BES ou a pedir indemnizações. O banco antecipa mais acções para combater a oferta de compra de dívida." - aqui
    "Novo Banco conta com Lone Star para repor falta temporária de liquidez. O Novo Banco admite que a oferta de compra de dívida dite o "incumprimento temporário" das exigências de liquidez. Situação será reposta com reforço de capital da Lone Star." - aqui 
    Todos quantos foram atraídos pelo isco do BES confiando-lhe as suas economias fizeram-no convictos de que, em caso de azar, seriam os lesados dos lesados a pagar a factura. Se não, quem?
    Perguntem, em caso de dúvida, aos outros bancos.

    Monday, August 07, 2017

    O QUE NÃO DIZEM OS ESPECIALISTAS

    Enquanto à volta da mesa se discutia a questão da insegurança nacional tendo como pratos fortes do dia o descalabro dos incêndios florestais e o roubo das armas em Tancos, o Veríssimo beberricava a terceira imperial, mastigava tremoços dos pratos mais próximos depois de esgotado o que tinha à frente, olhando por cima das lentes de ver ao longe os intervenientes quando a polémica aquecia. 
    ...
    - Temos militares a mais e bombeiros a menos.
    - Não há bombeiros a menos. O que eles estão é mal treinados... Não há defesa interna e defesa externa, os bombeiros profissionais deveriam ser integrados nas forças armadas e a estas deveria ser atribuída a responsabilidade da defesa total do território incluindo os incêndios. Os voluntários ficariam com as atribuições restantes, o transporte de doentes ...
    - Não estou a ver, nada, o que é que há de comum entre militares e bombeiros ...
    - Eu penso que ele tem razão. Se há coisa que os militares sabem fazer é definir estratégias de ataque e atingir objectivos...
    - Essa é uma anedota?
    - ?
    - Pois se os tipos até as armas deixaram roubar!
    - Quem pouco faz menos lhe apetece fazer. Sem guerra, a tropa adormece. Os militares não têm grande coisa a fazer para além de uns quantos, poucos, enviados para missões internacionais. Temos 35 mil militares! 35 mil!
    - Continuo a não entender o que é que tem a tropa que ver com os incêndios ...
    - Imagina tu que há um inimigo, não imagino quem possa ser mas partamos do princípio que o território nacional pode ser invadido por um inimigo externo, se não, não faria sentido haver tropa incumbida da defesa territorial. Que meio fácil, eficaz e praticamente gratuito disporia esse inimigo para causar a maior perturbação no território que pretendia ocupar? Incendiar no verão matas e florestas de norte a sul, não? Que capacidade de defesa sobraria a uma população num país todo a arder? Portugal é, no verão, um extenso barril de pólvora.
    - Então é preferível retirar a pólvora a meter os militares no meio dela.
    - Não é possível retirar tanto combustível. 
    - Mas é possível reduzi-lo ...acabem com os eucaliptos, plantem sobreiros, árvores que não ardam ...
    - Essa é outra anedota?
    - ?
    - O que é que não arde?
    - Os eucaliptos ardem mais, é o que dizem os especialistas ...
    - Não. Os especialistas não dizem isso. O que os especialistas dizem é que a propriedade florestal, e, já agora, a propriedade agrícola, deve ser redimensionada de modo a que seja economicamente viável e defensável, nomeadamente contra os incêndios. Mas enquanto isso não acontece, e não se sabe quando acontecerá porque é matéria politicamente altamente inflamável, há que combater os fogos florestais. E aí os proprietários de grandes plantações de eucaliptos - não há florestas de eucalipto em Portugal, há plantações de eucaliptos, com ciclos de corte,  e povoamentos mistos florestais mistos com eucaliptos - sabem como isso se faz. A prova disso é a reduzida sinistralidade de incêndios em propriedades das celuloses. Deviam ouvi-los em vez de atacá-los ...
    - Se todos os proprietários florestais fossem obrigados a manter as matas limpas ...
    - Já são obrigados ...
    - Mas não são penalizados.
    - Sabes quantos proprietários florestais há em Portugal?
    - Há muitos ...
    - Mas quantos?
    - Nunca os contei.
    - Há mais de trezentos e cinquenta mil!
    - Fora aqueles que apenas são proprietários de matos de e silvas!

    - E eu sou um deles, disse o Veríssimo ao mesmo tempo que limpava vestígios de tremoços que se tinham anichado no bigode.
    Tenho um terreno que os meus pais me deixaram, era uma vinha mas agora é mato.
    Ao lado, ainda há uma vinha, mas o resto do vale onde havia vinhas agora só há mato.
    Diz-me o dono da vinha, meu vizinho, que o mato já tem mais de metro e meio de altura. Foi cortado há três anos, custou-me uma pipa de massa, seiscentos euros. Já disse ao dono da vinha que lhe vendo o terreno, mas pelos vistos ele não o quer nem dado. O que é que vocês me recomendam que faça ao terreno?

    Sunday, August 06, 2017

    O METRO DE LISBOA - SINTRA - CASCAIS - LISBOA

    Entre Sintra e Cascais não há ligações ferroviárias.
    Nunca houve, aliás.
    Só há ligações rodoviárias. Quem se dirige a Sintra, ou a um destino intermédio, de comboio, e pretenda, a partir de Sintra, ir a Cascais, ou a um destino intermédio entre Cascais e Lisboa,  tem de ir de táxi ou de demorado autocarro. 
    Resumindo: o triângulo Lisboa-Sintra-Cascais não é viajável em comboio.
    Esta é uma das razões, a juntar a várias outras, que explicam o trânsito automóvel entre Sintra e Lisboa, Cascais e Lisboa, Sintra e Cascais. E, obviamente, nos sentidos opostos. 
    E, pelas mesmas razões, entram diariamente em Lisboa, segundo contagens relativamente recentes, cerca de 370 mil veículos automóveis, complicando o trânsito, poluindo a cidade, atravancando as ruas. 

    Recentemente, o sr. Fernando Seara, anterior presidente da Câmara de Sintra, agora candidato à presidência de Loures, apresentava em modo histriónico o feito de ter conseguido que alargassem o IC19 para 3 faixas (referiu 4) de rodagem em cada sentido. Mas nem ele, nem os seus antecessores se propuseram a, em parceria com a Câmara de Lisboa, completar o triângulo ligando as linhas de Sintra e Cascais entre si, imprimindo-lhe ainda a qualidade, em pontualidade, segurança, comodidade e oferta suficiente, que agora não tem, suficientemente competitiva para retirar do IC19, da A5 e das ruas de Lisboa as centenas de milhares de carros que todos os dias entram e saem da capital, poupando horas e euros aos que hoje gastam naquelas rodovias parte significativa das suas vidas e das suas despesas. 

    Nem eles nem nenhum dos candidatos às eleições no próximo dia 1 de Outubro.
    Que se saiba.

    ---
    Hoje (7/08), observo que em outdoor muito recente da candidata à presidência de Cascais, a excelente pianista srª. Gabriela Canavilhas propõe-se dotar Cascais com metrobus, uma ideia que o o actual incumbente sr. Carlos Carreiras avançou, cf. aqui, em conferência do International Club of Portugal em Junho último. Estarão os dois a pensar na mesma coisa? Não sabemos. O que depreendemos é que as ligações entre Sintra e Cascais não fazem parte das suas preocupações.
    A cada qual o seu quintal. 

    Saturday, August 05, 2017

    A UTAO


    UTAO, por este andar, mais dia menos dia, corre o risco de extinção por mau comportamento. 

    "Já lá vai meio ano e não há forma do investimento público disparar. Depois de ter batido mínimos históricos em 2016, o governo prometeu relançar o investimento em 2017. Mas já lá vai meio ano e, com a excepção das autarquias, os dados estão longe da promessa, revela a UTAO."

    Os resultados dos investimentos públicos realizados durante a primeira década do século revelaram-se bastante pífios. 
    Se a propensão para o investimento público por parte dos partidos de esquerda é agora contida pelas imposições aos limites do défice, do mal o menos.

    Estranho, e perigoso, é que, mesmo assim, a dívida pública continua indomável.



     

    Monday, July 31, 2017

    POBRES MAS BEM CALÇADOS

    "A líder do Bloco de Esquerda afirmou esta segunda-feira, na sequência da polémica medida de Vieira da Silva, que o Rendimento Social de Inserção (RSI) é “de tal forma baixo” que não permite sequer adquirir gasolina para o carro. ..." - aqui

    "Vieira da Silva decidiu que um cidadão com um carro de valor superior a 25 mil euros pode ter acesso ao Rendimento Social de Inserção (RSI), desde que cumpra os restantes requisitos. As alterações foram publicadas na sexta-feira em Diário da República e entram em vigor este sábado, aliviando as restrições nas condições de atribuição. A mudança é, na prática, mais uma reversão das alterações do Governo anterior ..." - aqui

    Como é que alguém que cumpre os requisitos para beneficiar do RSI consegue juntar recursos para comprar carro de valor superior a 25 mil euros?

    A srª. Catarina Martins sabe o que pretende.
    Resta saber se, quando a corda partir - a corda um dia vai partir - a srª. Catarina Martins não cai de costas. - vd. comentário colocado aqui

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    Wednesday, July 26, 2017

    BALLOON GIRL

    Banksy
    "Ballon Girl" (2002)

    A obra de arte que os britânicos preferem  -  cf. aqui

    ---
    Correl. - Banksy oferecia obra a quem votasse contra May ... até perceber que é ilegal. cf. aqui
    A obra em questão era uma recriação da famosa imagem de uma menina com um balão em forma de coração a voar, conhecida como Balloon Girl.  Nessa versão de Banksy, o balão que voa tinha a bandeira do Reino Unido. 

    O QUE FALHOU EM MAÇÃO?

    Há um mês ouvi, em entrevista de um canal de televisão, o coordenador da Protecção Civil Municipal de Mação informar que, tendo sido o concelho devastado por incêndios pavorosos no passado, tinham sido adoptadas medidas e instalados meios para enfrentar novas ameaças que pudessem vir a ocorrer.

    Transcrevo parte de um artigo publicado a 24 de Junho no Jornal de Notícias sobre o mesmo assunto:

    "Com um longo historial de incêndios e mais de 120% (?) do território fustigado pelos fogos nas últimas décadas, o concelho de Mação desenvolveu um conceito de reordenamento do território florestal e deu armas de defesa e combate às aldeias.
    Em declarações à Lusa, António Louro, coordenador da Proteção Civil Municipal, disse que Mação fez distribuir dezenas de motobombas por todas as aldeias do concelho, "para um primeiro combate enquanto os bombeiros não chegam", e criou o sistema McFire, ferramenta informática que permite levar a informação sobre a zona de combate para o posto de comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real.
    Com mais de uma centena de pequenos aglomerados populacionais espalhados pelos 41 mil hectares do território de Mação, essencialmente florestal, o objetivo da distribuição de motobombas é "dar alguma capacidade de autoproteção às populações das aldeias mais isoladas", tendo a autarquia promovido ainda a criação de grupos de autodefesa."

    Hoje, informa o Diário de Notícias que, em Mação, 

    "Perto de 20 mil hectares já terão ardido no concelho de Mação, no distrito de Santarém, afirmou hoje o vice-presidente da Câmara Municipal, António Louro, referindo que há "cinco a sete casas" de primeira habitação destruídas.
    Área ardida corresponde a quase 50% da área total do concelho. Vila de Mação pode ser confrontada com as chamas nas próximas horas".

    Entretanto, o que mais tem mobilizado a eterna querela entre partidos, neste caso a propósito dos fogos florestais, tem sido o exacto número de pessoas encaminhadas para a estrada da morte em Pedrogão Grande ... 
    Não porque sejam inconscientes do ridículo dos seus argumentos mas porque na caça aos votos não os impede o país a arder. 

    Sunday, July 23, 2017

    A DÍVIDA


    (Clicar para aumentar a imagem)

    Em Novembro de 2012, a Troica realizou o sexto exame regular às contas públicas de Portugal e estimou uma descida da dívida pública em percentagem do PIB para 117,5% no fim de 2016.  
    Enganou-se demais.
    No fim de 2016 a dívida pública portuguesa atingiu os 130,4% do PIB, depois de uma evolução quase sempre crescente, contrariando as projecções da Troica apesar das medidas de austeridade geralmente cumpridas e num ou noutro caso superadas.
    Apesar da continuidade na redução do défice, que atingiu em 2016 valores mínimos recorde em democracia, no fim do primeiro trimestre de 2017, e de alguma animação do crescimento económico, a dívida continuou a subir: 130,5% segundo nota recente do Eurostat*.



    (gráfico c/p de aqui)

    Porquê?



    A divergência entre as projecções da Troica em Novembro de 2012 e a realidade observada quatro anos depois (cerca de 13%) é equivalente ao peso das ajudas ao sistema de financeiro reflectido na dívida.
    Em nota divulgada no princípio de Abril do ano corrente e citada aqui, o Banco de Portugal Portugal  informava que "as medidas de apoio ao sistema financeiro representam “aproximadamente 11,3% do PIB na dívida pública de 2016”, que era de 130,4% do PIB."
    Naquelas contas do Banco de Portugal não estão, além do mais, ainda incluídos os 2,5 mil milhões engolidos pela segunda recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, realizada durante o primeiro trimestre de 2017  - a decisão da inclusão ou não daquele montante no défice só será conhecida em Setembro - nem as perdas efectivas resultantes da nacionalização do BES e da privatização do Novo Banco, processos que levarão vários anos a concluir considerando a litigância a eles associada.

    Mas, reconheça-se, seria uma explicação muito redutora atribuir ao estilhaçar da banca a culpa maior da resiliência do crescimento da dívida pública. Mesmo a níveis dos 117,5% do PIB projectados pela Troica para 2016, a persistência do crescimento da dívida relativamente ao PIB seria menos evidente mas não deixaria de ser menos potencialmente perigosa. 


    As taxas de juro, graças a Draghi, são baixas e em alguns empréstimos a curto prazo Portugal até tem conseguido ultimamente financiar-se a taxas negativas mas a taxa média continua a ser, considerando a dimensão da dívida, impeditiva da inflexão do crescimento desta. 

    Quando os juros subirem, porque um dia destes os juros subirão (parafraseando um conhecido cirurgião, as taxas de juro baixas não auguram nada de bom), se a dívida não tiver sido, entretanto, suficientemente reduzida, o fantasma da intervenção externa continua ao virar da esquina. 

    É, deveria ser, nestas condições, preocupante ouvir à esquerda radical reclamar ao Governo mais despesa pública*** - nem toda a despesa pública é má mas é péssima quando se torna incontrolável -  e à oposição barafustar contra as cativações com que o ministro das Finanças procura segurar as rédeas da dívida**. 


    ----
    * O Eurostat emitiu anteontem um newsrelease - vd. aqui - First quarter of 2017 compared with fourth quarter of 2016 Government debt up to 89.5% of GDP in euro area Up to 84.1% of GDP in EU28 -
    onde a evolução da dívida pública portuguesa durante os primeiros três meses deste ano se destaca pela negativa no contexto dos 28 membros da União Europeia:

    Entre o primeiro trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2017 a dívida pública portuguesa subiu 1,6 pontos percentuais, de 128,9% para 130,5% do PIB.

    Dos oito países membros da UE onde se observou crescimento da dívida pública no período em análise - Letónia, Polónia, Eslováquia, Portugal, França, Luxemburgo, Croácia e Reino Unido - Portugal tem a maior dívida pública em percentagem do PIB. Na Grécia e na Itália, com níveis de dívida pública relativa superiores, observou-se redução.
    ---
    ** A prova de que nenhuma afeição partidária da minha parte suporta  as medidas de M Centeno pode ser confirmada no facto de ter considerado neste bloco de notas, na altura da sua nomeação, o ministro das Finanças um dos elos mais fracos do executivo que acabara de entrar em funções.

    *** Não está sozinhos.
    "I love debt" - Donald Trump

    Saturday, July 22, 2017

    ANDA CÁ ABAIXO MARQUÊS!


    Não sei se a srª. Teresa Leal Coelho tem alguma proposta que mereça suficientes votos para a colocarem na presidência do município de Lisboa. Ouvi parte de uma entrevista de um canal de televisão e pareceu-me descortinar-lhe um desfasamento entre o processamento e a emissão das ideias que já tinha provocado a hilaridade ou sobressaltos contidos na abertura da apresentação mediática da sua candidatura quando se embrulhou nos nomes que, admitiu ela, teriam sido mais fortes para disputar o lugar ao sr. Fernando Medina. 

    O que deduzo, porque me deparei ontem com um estendal propagandista a tapar visão do Parque Eduardo VII a quem circula no Marquês, é que aquela desmesurada mancha só pode significar que os argumentos da candidata se medem em metros quadrados de outdoor.
    Como os outros candidatos irão pelo menos caminho, com menos metros quadrados porque a praça é grande mas não é extensível, o Marquês parecerá um redondel até às eleições autárquicas.


    Aos ajardinamentos feitos pela C M Lisboa, presidida pelo sr. Fernando Medina, apontou o meu cepticismo o trivial em Portugal em matéria de investimentos públicos: os orçamentos quase nunca contemplam o suporte das despesas de manutenção. No caso dos jardins a situação agrava-se pelas condições climatéricas, cada vez mais agudizadas, de estios que desanimam as melhores intenções. 
    Estamos em meados de Julho, pouco mais de um mês depois de dadas por acabadas as obras que mereceram aplausos generalizados, e os efeitos do tempo quente e seco estão à vista em locais que se pretendiam verdes.

    É o caso, por exemplo, da Avenida Praia da Vitória, em frente do Dolce Vita Monumental ao Saldanha.
    Foram plantadas heras, uma planta relativamente pouco exigente, que não resistiu ao tempo seco, ao vento, ao calor, mesmo se o sistema de irrigação gota a gota não avariou ou secou. Resultado: mandou a Câmara recolher os secos e as ervas em sacos de plástico preto que ontem aguardavam que passasse carro que os transportasse. Visível agora só a terra seca e as tubagens. Entretanto, já estão a aproveitar-se de parte do espaço alguns automobilistas com excessivo sentido de oportunidade.

    Apenas dois exemplos a juntar a tantos outros que apontei neste bloco de notas, o penúltimo dos quais aqui.

    Friday, July 21, 2017

    SÓ NOS FALTAVA ESTA

    Ontem:
    "Pesca da sardinha deve ser totalmente suspensa
    O organismo científico de aconselhamento da Comissão Europeia faz recomendação inédita: Portugal deve parar por completo a pesca de sardinha e durante um período mínimo de 15 anos para que o stock de sardinha regresse a níveis aceitáveis. 
    Jornal de Negócios

    Hoje:

    "A notícia com a possibilidade inédita da suspensão da pesca de um dos peixes mais apreciados pelos portugueses, e o mais vendidoem lota em 2015, caiu que nem uma bomba. As reações não se fizeram esperar."Absolutamente impensável", "inacreditável" e "cenário apocalíptico"foram algumas das expressões utilizadas pelos dirigentes associativos do setor. Mesmo depois Numa nota divulgada à comunicação social o ministérioliderado por Ana Paula Vitorino assumiu implicitamente que não iria acatar a recomendação do conselho."

    Diário de Notícias


    Bem visto.Quem é que daqui a quinze anos quererá comer sardinha? 

    Sardinha?! Oh não! Tem muita espinha!

    Wednesday, July 19, 2017

    O ESTADO É ESTÚPIDO MAS NÃO PERDOA NADA!

    "Estado perdoa 630 milhões de euros à banca na resolução do BES" aqui

    É recorrente o uso e abuso que jornalistas e outros artistas narradores fazem da palavra Estado.
    Para eles, tudo o que de mau acontece na esfera da administração pública, é culpa dessa entidade abstracta a que se dá o nome de Estado.
    O Estado, que não tem costas, tem costas largas. 

    Se os fogos devastam as florestas, destroem casas, matam homens e animais, há falha do Estado;
    Se uns gabirus assaltam os paióis da tropa enquanto a tropa dorme a sesta, há falha do Estado;
    Se os assaltos, os roubos, a criminalidade prospera, a culpa é do Estado;
    Se os impostos aumentam, o Estado aumentou os impostos;
    Se a justiça é lenta e, até por essa razão, injusta, a culpa é do Estado;
    Se a educação, a saúde, os transportes, o ambiente, o civismo, etc., ficam aquém do que deviam, a culpa é do Estado;

    "O Estado como conjunto das instituições que controlam e administram uma nação ou, noutra acepção, como país soberano com estrutura própria e politicamente organizado, não é uma identidade volitiva, não tem méritos nem culpas identificáveis. São os tutores dos interesses colectivos prosseguidos pelas instituições que compõem o Estado, quaisquer que sejam os meios usados que os empossaram, que são ou não são culpados, dos resultados positivos e negativos das múltiplas acções realizadas em nome do Estado", escrevi há quase cinco anos aqui e não vejo razão para alterar. 

    É muito óbvio que, se morreram cremados pelas chamas 64 pessoas em Pedrogão Grande, alguém é culpado mas culpar o Estado só poderá servir para desculpabilizar os reais culpados. 
    Observe-se, agora no outro lado, a identificação dos autores das obras que, mal ou bem, o público aplaude. 
    Há inauguração, às vezes repetida, de uma ponte, duma estrada, duma escola, dum caminho, dum parque de estacionamento ou de um arranjo do jardim, há placa pela certa, e na placa a pretensa eterna inscrição dos nomes de suas excelências que dignaram estar presentes para puxar a bandeira ou apenas bater palmas. 

    Vem, desta vez, este arrasoado a propósito do título de uma notícia que ontem se podia ler, por exemplo, aqui"Estado perdoa 630 milhões de euros à banca na resolução do BES"

    O Estado perdoa???
    Quem perdoou, salvo melhor informação, foi o Governo que em Agosto de 2014 consentiu que sobre os contribuintes recaíssem os custos de uma coisa chamada Fundo de Resolução do qual, três anos depois, ainda ninguém conhece os limites. 
    São, segundo o que a seguir se transcreve*, 630 milhões de euros!, cerca de 70% daquilo que senhor Bava e o senhor Granadeiro entregaram ao senhor Ricardo Salgado, a mando e recompensa deste. 
    Ou, se adoptarmos unidade de medida mais recente, qualquer coisa como 18500 vezes o que foi roubado dos paióis de Tancos.

    É obra que mereceria uma enormíssima placa!

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    *Novas condições contratuais acordadas entre o Estado e o Fundo de Resolução (detido pelos bancos) suavizaram a atual fatura que recai sobre estes, constata a UTAO. 

    O “apoio financeiro” que o Estado deu em agosto de 2014 para se fazer a resolução do Banco Espírito Santo (BES), nomeadamente o empréstimo de 3900 milhões de euros ao Fundo de Resolução (FR), implica, atualmente, um perdão de “cerca de 630 milhões de euros” aos bancos, que são as entidades responsáveis por suportar esse fundo, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), num estudo encomendado pelo Parlamento a pedido do PCP. Assim é porque o contrato inicial, que indicava que não deveria haver quaisquer custos adicionais para os contribuintes decorrentes da resolução do BES, foi sofrendo alterações mais favoráveis aos bancos de modo a não destabilizar as suas contas e os seus rácios de capital, numa altura em que as instituições bancárias se deparam com elevados volumes de malparado, por exemplo. Por diversas vezes, ao longo deste novo estudo, refere-se que os bancos estão eles próprios constrangidos pois têm de respeitar rácios de capital muito mais elevados por imposição das regras europeias. Portanto, quanto mais exigentes fossem as condições do empréstimo do Estado ao FR, mais apertada seria a situação da banca, mais apertado seria o financiamento à economia, às empresas. O próprio FR diz que em casos limite isso até “poderia colocar em risco a capacidade de continuar a prestar os serviços financeiros essenciais à economia, nomeadamente a concessão de financiamento”. A UTAO recorda que “na sequência do sucessivo adiamento da venda do Novo Banco, foram conduzidos dois processos de revisão das condições de financiamento do Fundo, com o objetivo de garantir a respetiva sustentabilidade e equilíbrio financeiro”. Basicamente, os dois aditamentos ao contrato inicial dilataram prazos de pagamento do tal empréstimo de 3900 milhões de euros (contraído pelo FR, que é detido pelos bancos, junto do Estado) e suavizaram taxas de juro e comissões. Em 10 de fevereiro de 2017, já pela mão do governo atual do PS, “foi formalizado o 2.º aditamento às condições contratuais do empréstimo concedido pelo Estado Português, tendo ficado acordado um conjunto de novas condições contratuais”. Este aditamento “teve como preocupação a estabilidade e previsibilidade do esforço contributivo do setor bancário, sem recorrer a contribuições especiais ou qualquer outro tipo de contribuição extraordinária por parte das instituições participantes no Fundo de Resolução” e “alongou-se o prazo de vencimento do empréstimo para dezembro de 2046, tendo por base as receitas regulares, na qual também se incluiu a contribuição sobre o setor bancário. Agora, com as novas condições do empréstimo do 2.º aditamento, “o contrato de empréstimo apresenta um valor atualizado líquido negativo, de cerca de -630 milhões de euros”. Isto é, atualmente, a situação é: o estado emprestou, mas na verdade está a transferir dinheiro para os bancos. Esses 630 milhões são, neste momento, uma perda para os contribuintes. “Este resultado depende necessariamente da taxa de desconto utilizada, da taxa de juro revista a cada cinco anos a partir de 2022, da data de reembolso do capital e da data de referência para o cálculo do valor atualizado”, diz a UTAO. Contribuição bancária deve ser permanente No entanto, ainda faltam muitos anos para que este processo seja concluído e, nesse sentido, a UTAO recomenda algumas alterações, designadamente no desenho da contribuição bancária, de modo a garantir que o empréstimo é todo pago e o FR não fica depauperado com isso pois tem de continuar a existir e a ser capaz de responder a futuras falências ou problemas na banca. Desde que foi criado, no Orçamento de 2011, que a contribuição sobre a banca (em nome da estabilidade financeira) é tida como “temporária”, “extraordinária”. A UTAO diz que para o plano de pagamentos do FR ao Estado ser bem e totalmente concretizado (e os contribuintes não serem lesados), o tal tributo tem de ser “permanente”. “Conclui-se que para a execução do plano financeiro de longo prazo apresentado pelo Fundo de Resolução são insuficientes as contribuições regulares das instituições financeiras, mas a contribuição sobre o setor bancário assume um papel determinante, com receitas anuais de 210 milhões de euros previstas até 2046”. “Com efeito, a contribuição sobre o sector bancário reveste-se de especial importância para o cumprimento do plano de amortização de capital e juros no prazo previsto, pelo que esta contribuição pode deixar de ser entendida como tendo um caráter temporário, tal como a renovação anual na Lei do Orçamento do Estado deixaria antever, para passar a ser encarada como duradoura”, diz a UTAO. A contribuição sobre o sector bancário é o maná do FR. Sem ela, ou caso haja intenção de acelerar o reembolso ao Estado do empréstimo, terá de se considerar outras formas de arranjar dinheiro. A UTAO fala num novo empréstimo, num recurso aos mercados ou até numa contribuição “especial”, embora esta não seja desejável pois complicaria ainda mais as contas dos bancos, lê-se no mesmo estudo.

    PODRIDÃO

    "Abusos num coro católico da Alemanha podem ter vitimado mais de 500 rapazes
    Novos dados na investigação ao coro de Domspatzen implicam 49 membros da Igreja Católica. Maior parte dos casos terá ocorrido nos anos 1970. Vítimas falam de “uma prisão”, “um inferno” e até “um campo de concentração”.- Rádio Renascença


    "Durante 60 anos, centenas de rapazes de um coro alemão sofreram abusos

    Relatório confirma os crimes no internato da Igreja Católica e no coro que foi dirigido por Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI." - Público


    Tuesday, July 18, 2017

    QUASE TUDO RESOLVIDO

    O assalto aos paióis de Tancos está resolvido.

    - O roubo não valia mais que trinta e quatro mil euros, era sucata esquecida, os assaltantes resolveram um problema sem cobrar nada pelo transporte levando de lá aquela inutilidade.
    - Os paióis vão ser desactivados, o material que sobrou irá ser guardado num dos quartéis do polígono militar, dispensam-se mais investimentos na reparação da vedação e na vídeo vigilância.  
    - Finalmente, soube-se ontem, vd. aqui,  que os cinco comandantes exonerados já foram reconduzidos e a mansidão da tropa de Tancos recuperada.

    O fim dos incêndios florestais só não será atingido, após as decisões tomadas pela maioria parlamentar, se as causas naturais não compreenderem a bondade das razões de tais decisões. 

    Segundo o que se lê, por exemplo, aqui,  as plantações de eucalipto vão precisar sempre de projecto e autorização prévia.
    Acho bem.
    Mas, pergunto-me: Essa exigência não se encontra já há muito tempo em vigor?
    Existia mas atingia fundamentalmente as plantações racionalmente instaladas e bem defendidas. Tudo o resto, e o resto é de longe a maior fatia, como se enquadram as plantações avulsas sem uma reestruturação da propriedade fundiária que garanta racionalidade e viabilidade económica, que impeça o crescimento da área desenquadrada e o caminho inverso do que se pretende?

    Quanto ao resto da área combustível (mato, pinhal, acácias, povoamentos mistos, etc.) George W. Bush, abismado com devastadores fogos na Califórnia, magicou um dia se não se resolveria o assunto abatendo tudo o que costuma ser pasto das chamas. Sem floresta, não haveria fogos florestais...
    Redimensionar e reestruturar a floresta de modo garantir-lhe viabilidade económica e condições efectivas de segurança exige uma trabalheira medonha e não dá votos. Pior, daria perda deles, salvo se os partidos deixassem de perseguir os votos pelos votos.
    Para os que elegeram o eucalipto como principal culpado dos fogos florestais fica também este assunto pelo menos meio resolvido. Todo resolvido mesmo, só erradicando todas as espécies vegetais combustíveis... 

    Sunday, July 16, 2017

    ELES SÃO ASSIM PORQUE SÃO ASSIM MESMO

    A dois meses e meio das eleições autárquicas, o país já está infestado por outdoors com as fronhas ampliadas dos candidatos e mensagens clonadas de outras que o marketing inventou há largas dezenas de anos. 
    Curtas e vazias de sentido, resultam?
    Parece que sim. De outro modo não se compreenderia o investimento em tão grande arraial de cartazes para o povo. 

    Em Cascais, o senhor Carlos Carreiras faz questão de se impor ao virar de cada rotunda. Umas vezes só, outras acompanhado dos candidatos menores, os das freguesias.
    Pelo menos numa rotunda, aquela em que desagua o trânsito da A16 que se dirige ao centro de Cascais pela Avenida de Sintra, o outdoor terá uns trinta metros quadrados de superfície, abarcando todo o arco sul da rotunda. 
    Quem é que paga, e porque paga, toda esta exuberância publicitária a um candidato à renovação de mandato se com ele, segundo ele, Cascais avança?

    A entrada de Cascais, pela marginal, junto ao Cascais Villa e ao Jumbo é um parque de vários casarões em ruínas há muitos anos. O senhor Carreiras não pode fazer nada para alterar o cenário de abertura de Cascais? Se ele não pode, quem pode?
    Alguém alguma vez ouviu o senhor Carreiras falar neste assunto?
    Ainda em frente ao Jumbo, do outro lado do caminho de ferro, na frente marítima, há um palacete que, segundo informação que recebi do anterior presidente da edilidade, é do domínio do ministério do ambiente. Crescem-lhe por fora as heras e por dentro os pombos. O senhor Carreiras também, neste caso, não tem nenhum voto na matéria?
    No largo da estação de caminho de ferro autorizou o executivo anterior a construção de um imóvel que ocupava quase todo o quarteirão. Não passou das estruturas exteriores, ainda que tivesse sido promovida a venda de apartamentos por Figo e Catarina Furtado. Por razões certamente razoáveis decidiu a câmara do senhor Carreiras mandar demolir o já edificado para nele erguer coisa menos volumosa. Está agora  o terreno arrasado rodeado por uma cerca a cair apodrecida pelo tempo depois de ter estado coberta com cartazes a anunciar o melhor dos mundos para o sítio. 
    Não tem nada, ainda neste caso,  a câmara que ver com o assunto?

    Os exemplos de degradação urbana em Cascais nem são os únicos naquele município nem uma raridade no resto do país, apesar das actividades de reabilitação que estão a reactivar o sector da construção civil abalado pela crise. Há casos notáveis de recuperação, o centro histórico do Porto, por exemplo, já hoje apaga da nossa memória as imagens de decadência e ruína em que prédios de grande dignidade tinham caído. 

    Para onde é que Cascais avança, senhor Carreiras?

    Ao lado de Cascais, Oeiras tem progredido a olhos vistos.
    Mas é, deveria ser, intolerável que se mantenha há dezenas de anos o enorme monte de ruínas em que se tornaram, com o passar do tempo, as instalações onde foram produzidas estruturas com amianto (ou asbestos) que estão a ser retirados de edifícios públicos por ameaçarem a saúde daqueles que neles trabalham. 
    Estas ruínas de amianto situam-se na Cruz Quebrada no ponto onde o vale do Jamor chega ao Tejo, ao lado da via marginal. 
    Algum dos candidatos se propõe mandar limpar o terreno da ameaça até que ao sítio seja dado destino adequado aos interesses da comunidade e à salvaguarda da saúde do que habitam perto ou por ali passam?
    Se há essa intenção, não consta dos outdoors dos mais que muitos candidatos.
    Para onde andam os movimentos ecologistas que não reparam neste escândalo à vista de quem só não vê quem desviar o olhar?

    A propósito: Discute-se, menos que o desejável mas discute-se, o número de deputados da AR. 
    Mas ninguém discute o número de autarcas que se atropela neste país. Porquê? 



    Saturday, July 08, 2017

    O JOGO DA CABRA CEGA

    Normal, em Portugal:

    "Suspeito de ter desviado peças do Museu da Presidência da República, o antigo director da instituição, Diogo Gaspar, apresentou-se ao serviço na passada segunda-feira, ao fim de um ano de suspensão de funções. No entanto, não regressou ao anterior cargo. Foi de férias logo de seguida. "-  aqui

    Aconteceu há um ano em instalações onde a passagem de visitantes é guardada por agentes da GNR com equipamento radiográfico idêntico ao usado nos aeroportos.
    E ainda há quem nos queira fazer crer que do assalto ao paiol de Tancos é responsável a ausência do sistema de audio vigilância.


    "Depois de 12 anos à frente do museu, Diogo Gaspar foi detido no Verão passado, por indícios de abuso de poder, tráfico de influência, peculato e participação económica em negócio, entre outros crimes. Móveis antigos, tapeçarias e quadros foram alguns dos objectos do espólio museológico apreendidos pela Polícia Judiciária em sua casa e em casa de amigos seus, nas buscas da chamada Operação Cavaleiro – assim baptizada por ter sido com este título referente à Ordem de Santiago que Cavaco Silva o agraciou quando estava a terminar o seu último mandato em Belém, no final de Fevereiro de 2016. Foi detido quatro meses depois, faz agora um ano.
    E é precisamente por ter passado um ano desde que foi constituído arguido, sem que tenha sido produzido ainda um despacho de acusação contra ele – ou, em alternativa, que o processo tenha sido arquivado – que caducaram as medidas de coacção que lhe tinham sido impostas pela juíza de instrução criminal do processo, explica o seu advogado, Raul Soares da Veiga. Medidas essas que incluíam a suspensão de funções.

    Diogo Gaspar ficou proibido de entrar na secretaria-geral da Presidência da República, no Museu da Presidência e no Palácio da Cidadela, em Cascais (que também faz parte da Presidência), além de ter sido proibido de contactar com diversas pessoas. Motivos invocados pela magistrada: perigo de continuação da actividade criminosa e de perturbação do decurso do inquérito.
    “À cautela, embora a caducidade seja automática, requeremos ao tribunal que reconheça que as medidas de coacção já caducaram”, explica o advogado. “Como Diogo Gaspar é um funcionário zeloso e cumpridor apresentou-se ao serviço. Tem o dever e o direito de exercer o seu trabalho”.
    Acontece que durante este ano outra pessoa foi nomeada para ocupar o cargo de principal responsável pelo museu – e não de forma interina. Trata-se da directora do Museu do Azulejo, Maria Antónia Pinto de Matos, que passou a acumular funções. “Seria natural que Diogo Gaspar reassumisse as suas funções, mas agora parece que existem dois directores para a mesma instituição”, observa Raul Soares da Veiga.

    A Presidência da República não partilha, porém, deste entendimento. O despacho de nomeação da nova responsável é de 30 de Setembro de 2016 e nele está escrito que naquela data cessava a comissão de serviço de Diogo Gaspar. O último despacho de nomeação deste é de 1 de Outubro de 2013 e tinha efeitos por três anos." 

    Friday, July 07, 2017

    ALICE NO PAÍS DAS TIAS


    Em cena no Teatro Aberto.

    Vá ver e verá que valeu a pena.
    ***
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    Mas, se for de carro, prepare-se para pagar taxa de estacionamento de Zona Vermelha.
    É inconcebível, mas é verdade.
    Debatendo-se o teatro com muita dificuldade para cativar o interesse dos portugueses em geral, a decisão do município lisboeta é lamentável. Porque coloca a zona circundante ao Teatro Aberto passível de taxa máxima de parqueamento até à uma da manhã, porque limita o estacionamento a duas horas.
    Se o espectáculo tem uma duração superior a duas horas, e é o caso, têm os espectadores que sair do teatro para introduzir mais moedas que permitam prolongar o estacionamento para além das duas horas consentidas. 
    Acresce que, segundo o que se lê no programa, o Teatro Aberto é apoiado financeiramente pelo município.


    Thursday, July 06, 2017

    ORGIA (TEMPORARIAMENTE) INTERROMPIDA

    "Polícia do Vaticano interrompe orgia gay em apartamento de conselheiro do Papa



    Habitação é propriedade da Congregação da Doutrina da Fé
    A polícia do Vaticano interrompeu uma orgia homossexual no apartamento onde vive o cardeal Francesco Coccopalmerio, um dos principais conselheiros do Papa Francisco.
    A rusga aconteceu no mês passado mas só esta semana foi noticiado pela imprensa italiana e pelo britânico The Times.
    A presença de Francesco Coccopalmerio na festa está a ser noticiada, mas tal não foi confirmado oficialmente.
    O apartamento alvo da polícia está afeto à Congregação para a Doutrina da Fé, organismo que, entre outras atribuições, tem a responsabilidade de lidar com os escândalos de abuso sexual de menores por membros da igreja.
    Já Coccopalmerio, além de ser próximo do Papa - segundo o The Times terá mesmo recomendado o secretário de Francisco - faz parte do Conselho Pontifício de Textos Legislativos.
    A igreja católica volta assim a ser abalada por um escândalo sexual, pouco depois de o seu chefe das finanças, o cardeal George Pell, ter sido formalmente acusado de crimes sexuais."

    Nota - Francesco Coccopalmerio tem 79 anos de idade