Tuesday, October 17, 2017

OBRA DE ARTE, FLOP TURÍSTICO


Joana de Vasconcelos recebeu dos contribuintes portugueses um subsídio de 170 mil euros para representar Portugal na Bienal de Veneza de 2013 com "Trafaria Praia", um cacilheiro que se encontrava desactivado desde 2011, que a artista forrou exteriormente com painéis de azulejos alusivos à Lisboa ribeirinha e decorou com sugestões psicadélicas o interior. 
Foi um sucesso em Veneza. 


A um empresário de turismo fluvial no Douro, entre outros sucessos no ramo e artes correlativas, cheirou-lhe o cacilheiro a negócio, e comprou a obra de arte com o intuito de a fazer render como atracção turística no Tejo.
Não foi.
Já perdeu com o negócio, diz ele, um milhão de euros, e agora tenta recuperar o prejuízo vendendo o "Trafaria Praia" como objecto de arte, afinal aquilo para que foi reabilitado. 
Mais: aquiaquiaquiaquiaqui

Monday, October 16, 2017

PÃO, PÃO; QUEIJO, QUEIJO, OU MARMELADA


Quando é que eu defendi um governo de Bloco Central? 
É "ofensivo" e "difamatório" que pretendam atribuir-lhe uma defesa de um governo de Bloco Central, que só considera justificável "em situações de salvação nacional". "O que eu disse é que os partidos todos têm de pôr os interesses partidários de lado e entenderem-se nas reformas fundamentais para o interesse do país", disse, apontando como exemplo uma solução para o problema dos incêndios." - aqui

O sr. Rui Rio é assim: pão, pão; queijo, queijo.
O sr. Santana Lopes é mais marmelada. 
Por quem votarão os PSDs, veremos, mas suspeito que a maioria vá pelo doce.
No fim, ganha o sr. António Costa.

Sunday, October 15, 2017

LISBOA, AMOR AO PASSADO


Alguns povos de Espanha podem não se sentir confortavelmente sob a mesma bandeira mas nunca senti da parte daqueles com quem contactei, ocasionalmente ou por razões profissionais, algum resquício de chauvinismo relativamente a Portugal. Mas conheci, e conheço muitos portugueses, que continuam a sentenciar que "de Espanha nem bom vento nem bom casamento". 

Habituei-me desde muito jovem ao convívio com espanhóis que nos meses de Agosto e Setembro desciam de Salamanca, Castelo Rodrigo, Zamora, e de outras paragens de Castela, para a praia que noutros tempos foi reclamada "a rainha". E sempre me perguntei se, visto à distância de mais de três séculos, em 1640 não se redobrou o isolamento de Portugal relativamente ao centro da Europa, onde se desenrolava o progresso o cultural e económico. Não pode rebobinar-se a história mas podem avaliar-se as consequências das circunstâncias que nos conduziram por um caminho e não pelo outro. 

Alguns anos antes dos acontecimentos, que fizeram evoluir Portugal e Espanha para regimes democráticos e, posteriormente, com a entrada na União Europeia, para a eliminação das fronteiras fiscais entre os dois países, a raia era, de um lado e doutro, a faixa mais deprimida económica e culturalmente da Península Ibérica. Do estrangulamento das comunicações provocado pela barreira fronteiriça continuam ainda hoje os povos do interior a sentir-lhe os efeitos porque não se desobstruem em três décadas as bloqueios com séculos. 

A propósito registo um artigo - Lisboa, amor al pasado - publicado anteontem no "El País", um jornal onde, com alguma frequência, se podem ler notícias, comentários, reportagens sobre Portugal. 
Nem sempre laudatórias, diga-se em abono da isenção de um dos mais prestigiados jornais do mundo.
Nesta edição o assunto são as lojas antigas de Lisboa "ameaçadas pelo turismo massivo, estando o município a tentar travar o seu desaparecimento". 



En la barbería Campos (1886) se afeitaba el escritor Eça de Queiroz
 y uno de sus clientes es el presidente portugués, Marcelo Rebelo de Sousa. 

Wednesday, October 11, 2017

A INTERDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA

O presidente do Governo da Catalunha, Puigdemont, declarou a independência da Catalunha mas suspendeu-a no momento seguinte e propôs ao Governo de Espanha o início de negociações sem condições prévias.
O presidente do Governo de Espanha, Rajoy, já respondeu perguntando ao Governo da Catalunha se este declarou a independência. E, em caso afirmativo, diz-lhe que a retire.
Caso contrário, considera o Governo de Espanha que estarão reunidas as condições previstas no artigo 155 da Constituição de Espanha, implicando o termo da autonomia da Catalunha.

Deste modo percebe-se a subtileza entre declaração da independência seguida da sua suspensão e a suspensão da declaração. Rajoy percebeu-lhe a intenção mas não o deixou passar. O que vai responder Puigdemont não sabemos mas o mais provável é que reafirme a Rajoy o que ontem declarou no Parlament: declarou mas suspendeu. Trata-se, certamente, de um puzzle jurídico e, das duas uma, ou Rajoy obtem uma interpretação do Tribunal Constitucional ou considera que a reafirmação da declaração de independência, suspensa ou não, é motivadora do accionamento do artigo 155.

Em qualquer caso é muito evidente que Puigdemont está a tentar recuar sem cair depois de ter encenado uma tragicomédia da qual é inadmissível que não conhecesse a sequência dos episódios.
Ele sabia que não teria nem o reconhecimento nem o acolhimento da União Europeia. E também sabia, ou deveria saber, que o poder económico se lhe atravessaria no caminho independentista, nacionalista, à procura de uma soberania serôdia que a interdependência do mundo actual não consente.

Não pode o poder económico sobrepor-se ao poder político.
Pois não. Mas convém considerar-lhe a mobilidade. Puigdemont não contava com isso? Não ouviu os empresários?
Se não, enganou, propositadamente, os catalães que o apoiaram.





Sunday, October 08, 2017

FAÇAM FILHOS!


No Economist desta semana observa-se que um dos argumentos favoráveis à União Europeia é o alastrar das boas ideias através do continente. Conjuntamente com o crescimento das trocas comerciais dentro mercado único, em princípio, a entrada de um vasto conjunto de países económica e culturalmente diferentes para o mesmo clube, tornará, com o decorrer do tempo, os seus membros mais parecidos entre si.  

Contudo, se tarda a convergência económica, num aspecto, conclui-se aqui,  as nações são já muito parecidas na idade em que as mulheres têm o primeiro filho.  
A disponibilidade de contraceptivos e o acesso das mulheres à Universidade são considerados alguns dos factores das aproximações das tendências observadas nos países do leste e do sul europeu, mais evidente no primeiro destes dois grupos, aos países do norte. 

Por outro lado, o retardamento da concepção tem como consequência a gestação de menos filhos o que, conjuntamente com os avanços observados nos cuidados médicos, determina o decréscimo e um maior envelhecimento da população.

Se a redução da população pode ser moderada com o aumento da esperança de vida, o rejuvenescimento só pode ser conseguido com o aumento da natalidade. 
Ou o aumento da imigração. 
Escolham!

Friday, October 06, 2017

O TORCICOLO DE INTELECTUAIS PORTUGUESES


Lê-se aqui que "dezenas de intelectuais e ativistas portugueses (manifestamente de esquerda radical ou extrema esquerda) subscreveram um manifesto em que, sem tomar posição quanto à questão da independência da Catalunha, criticam o que consideram ser a “repressão policial” exercida pelas forças da ordem espanholas no passado dia 1 de outubro".

E não repararam em mais nada.
Neste aspecto não divergem da pesporrência do sr. Nigel Farage quando há dias arengava, pela enésima vez, no Parlamento Europeu, contra a União Europeia, que ele gostaria de ver desmantelada, agora a propósito dos feridos durante os distúrbios de 1 de Outubro em Barcelona. Nem dele nem de todos os que nos extremos políticos  não desistem dos mesmos propósitos.

Custa-lhes olhar para o lado e perceber que o independentismo catalão é uma forma pseudo -democrática de racismo. Aqueles que na Catalunha não pretendem continuar a pertencer à comunidade espanhola estão encapotadamente a dizer a todos os restantes povos de Espanha - galegos, andaluzes, estremenhos, aragoneses, asturianos, cantábricos, murcianos, castelhanos, canarienses, baleares, bascos - que não têm afinidades com eles, talvez porque falem alto demais, ou não se lavem, ou não saibam estar à mesa, ou por qualquer outra razão. 
Ou, hipótese altamente provável, por considerarem que todos os outros são menos capazes, menos organizados, mais madraços, menos empenhados, menos produtivos, enfim, e para resumir, mais pobres.  E aí é que está o ponto mais dorido da questão catalã: eles, à imagem e semelhança daqueles que  norte europeu se sentem desconfortáveis com os que habitam no sul, pretendem encaixar os ganhos sem participar nos custos da pertença a uma zona económica que só pode subsistir se houver liberdade de trânsito de capitais, mercadorias e serviços mas também de pessoas. 

O que é espantoso, ou talvez não tanto, considerando a extrema mobilidade ideológica entre os extremos, é que posicionando-se a esquerda radical em posição extremamente crítica do egoísmo que vem do norte não veja, neste caso do independentismo catalão, nenhuma forma egoísta, de recusa de solidariedade da Catalunha, rica, relativamente, por exemplo, à Andaluzia, mais pobre. 

Será que um dia esta mesma incapacidade para mover o pescoço se manterá se, e quando, o norte de Itália recusar a nacionalidade italiana para não suportar o fardo da Calábria?

E os bascos?
Que farão os bascos, onde a guerra terrorista terminou mas o independentismo não, se e quando a Catalunha for independente? 
Porque não agora?, perguntarão eles
E a Córsega?
E a Flandres?

E, porque não, o Algarve? 
E em tantos outros cantos da Europa onde houver europeus empenhados em estilhaçar a União Europeia, em nome de um nacionalismo racista empacotado num independentismo serôdio a navegar contra a corrente num mundo cada vez mais globalizado, mais habitado, mais interdependente. 
A menos que a guerra reduza drasticamente a espécie humana.
Deve ser esse o objectivo deles, inconformados com pouco mais de 70 anos de paz.

Thursday, October 05, 2017

O ÚLTIMO ENCONTRO ENTRE O REAL E O BARÇA


Hoje ficou a saber-se que 

"a direção do Futbol Club Barcelona emitiu um comunicado onde apela ao diálogo e negociação para "encontrar soluções políticas" para a situação de crise na Catalunha e ofereceu-se para mediar a crise".

Resta saber agora como se posiciona no terreno o Real Madrid Club de Fútbol
Mas não seria má jogada se também os de Madrid se oferecessem como mediadores.

Wednesday, October 04, 2017

QUEM É QUE NA EUROPA APOIA OS INDEPENDENTISTAS CATALÃES?

É a pergunta feita hoje no El País - ¿Quiénes en Europa apoyan en realidad a los independentistas catalanes? - e a resposta é óbvia.

Os extremistas de direita (e de esquerda, acrescento eu, porque, já se sabe, os extremos tocam-se)
Aqueles que nunca pouparão esforços para excitar instintos populistas, nacionalistas, racistas, e tudo quanto possa contribuir para a destruição da União Europeia e, consequentemente, fomentar a guerra entre os europeus depois do período mais longo de paz observado na lado oeste da Europa. 




São estes os mais notórios figurões que se apresentam como paladinos do direito de voto, aqueles que, em nome da democracia, pretendem aniquilar a União Europeia. 
Alguns argumentos dos independentistas catalães coincidem com os dos ultra direitistas nos países membros da União: invocam o nacionalismo como forma de incitar à recusa de solidariedade entre os diversos países membros. A Catalunha, rica, não se conforma com os custos da solidariedade com, p.e., a Andaluzia, mais pobre. 

A inquietação sobre o desafio da Catalunha estende-se à União Europeia, lê-se noutro artigo publicado no El País. E há quem se ofereça como medianeiro entre as partes em confronto. 
"O líder do Partido Popular Europeu, o alemão Manfred Weber reclamou "diálogo entre democratas".
O eurodeputado espanhol Esteban González Pons, contudo, descarta o diálogo com o Governo catalão e recusa a mediação da UE, pedida por vários membros do parlamento europeu."

"A todos nos duelen las imágenes que vimos el domingo. Pero España no es Yugoslavia. Somos una democracia estable y madura, y no necesitamos tutelas. Ni mediadores con los políticos insurrectos. Vamos a dialogar, pero bajo el manto de la Constitución".

São inquietantes as cenas dos próximos capítulos. 

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Correl . - MITOS Y FALSEDADES DEL INDEPENDENTISMO

Tuesday, October 03, 2017

E COM QUEM VAI JOGAR O BARÇA?


Anteontem, na Catalunha, em dia de referendo, para além dos confrontos com a polícia nacional de Espanha, observou-se um facto sintomático do modo como pode o futebol vir a influenciar as pretensões dos independentistas catalães: o jogo entre Barcelona e o Las Palmas em Camp Nou realizou-se com as portas fechadas ao público. 
Um tema que comentei aqui em Novembro de 2014 e aqui em Setembro de 2015.

Segundo o que pode ler-se aqui, a selecção espanhola de futebol treinou ontem em Las Rozas, Madrid, e a reacção de cerca de duas centenas assistentes ao treino, entre cerca de mil, desafiados pelos cânticos de um grupo de dez jovens ultra nacionalistas contra a presença de Gerard Piqué, defesa central do Barcelona, nascido em Barcelona, -  “¡Piqué, cabrón, fuera de la selección!”. “¡Piqué, llorón, España es tu nación...!” acabou por provocar, após vinte minutos, a suspensão dos trabalhos, sem que alguns dos convocados tenha tocado na bola.

E a partir de agora, como vai ser?
O Futbol Club Barcelona, mas também o Espanyol  (curiosamente, Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona) e o Girona Futbol Club já anunciaram o seu alinhamento pela causa independentista. Na liga secundária é muito provável que se observem opções idênticas. O futebol motiva paixões e reacções frequentemente incontroláveis, a mistura com os instintos nacionalistas pode tornar-se explosiva.

Da União Europeia já chegou a mensagem de que a questão catalã tem de ser resolvida internamente e no respeito pela Constituição espanhola não sendo admissível como membro da União Europeia qualquer território separado à revelia da lei fundamental do país de que faz parte. 
E a FIFA, como reagirá a FIFA perante uma eventual declaração unilateral de independência da Catalunha? Apesar dos rombos que a FIFA apresenta na sua honorabilidade, dificilmente se pode prever que a Catalunha independente entre enquanto a Espanha não autorizar que ela entre. 

Alguém pode acreditar que isto não influenciará bastante o curso da querela independentista?

Monday, October 02, 2017

GENERALIZAÇÕES AMORAIS


- Esteve preso por crimes fiscais e branqueamento de capitais e  consegue voltar montado em maioria absoluta! Não é estranho?
- Estranho, porquê?
- Depreendo que votou nele ...
- Votei, não vou negar que votei, a maioria no concelho votou nele.
- Mas não é estranho que tendo sido julgado e condenado, a população do concelho mais rico do país, aquele onde residem mais licenciados e doutorados, não encontre pessoa bastante qualificada para a função sem passagem pela cadeia?
- Ele prevaricou e pagou por isso, não foi condenado por toda a vida. E depois, meu amigo, neste país todos roubam!
- Todos? Não me está a incluir a mim, não?
- Quando digo todos, digo todos os políticos ... 
- Todos mesmo?
- A grande maioria.

Sunday, October 01, 2017

A HORA DE RIO


Segundo as sondagens e os comentários de quem é suposto estar minimamente informado, o PSD registará hoje a maior perda eleitoral de sempre. Mas o sr. Passos Coelho diz que não se demite quaisquer que sejam os resultados das eleições de hoje, e a generalidade dos opinantes acredita que ele não se demitirá, mesmo que, como tudo leva a crer, o descrédito do partido que lidera nunca tenha roçado tão fundo.
Os resultados das eleições autárquicas não se projectam nas eleições legislativas, argumenta o sr. Passos Coelho e os seus apoiantes. Mas é um argumento que não convence.

Geralmente, as eleições autárquicas, realizadas entre duas eleições legislativas, favorecem as oposições*. Este ano, é por demais evidente que o PSD não só não beneficiará de qualquer desgaste politico do Governo como, salvo circunstâncias imprevisíveis neste momento, comprometerá uma recuperação significativa nos próximos dois anos. 
O sr. Passos Coelho não pode, honestamente, recusar assumir todas as suas responsabilidades no descalabro previamente anunciado. Foi ele que decidiu quem concorreria às eleições nos principais municípios do país, onde o PSD, segundo as sondagens corre o risco de ser aí colocado pelo eleitorado em terceiras posições. 
Não. Foi muito evidente durante a campanha o envolvimento de todos os lideres partidários no apoio aos seus candidatos autarcas tornando nacionais as leituras que os resultados das eleições de hoje vão permitir. E o sr. Passos Coelho, não tendo sido excepção, não tem meios de escapar às responsabilidades que os resultados de hoje lhe vão imputar. 

Recorde-se o que aqui se anotou várias vezes desde as vésperas das legislativas de 2011: o sr. Passos Coelho ao assumir o governo do país submetido a regras impostas pelos credores, negociadas e subscritas pelo anterior primeiro-ministro, dispensando o PS de co-assumir  as responsabilidades do ónus da governação em tais circunstâncias, pegou num tição que, irremediavelmente, o iria queimar. 
Teimosamente, desprezou essa ameaça, e queimou-se. Teimosamente, persiste agora em recusar afastar-se do comando do seu partido, arrastando-o para um situação encalhada de onde não será fácil safá-lo. 

Ora se o sr. Passos Coelho não se demite, no uso de um direito que só o voto dos membros do PSD podem contrariar, está na hora de Rui Rio, esta noite, se assumir uma vez por todas candidato à liderança ou renunciar de vez a esse propósito, de modo a permitir que outro ou outros o façam.

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Correl - (2/10) -* Há 32 anos que um partido no Governo não ganhava as autárquicas

Saturday, September 30, 2017

REFLEXÃO

Hoje é dia de reflexão cívica.

No concelho onde resido e estou inscrito nos cadernos, há dois candidatos à presidência da câmara municipal, que disputam a vitória, e centenas de outros candidatos em várias listas em lugares como vereadores, membros da assembleia municipal, presidentes e vogais de juntas de freguesia, membros de assembleias de freguesias. É muita gente, mas não reconheço ninguém nas fotos miniatura que enchem os folhetos que as turmas dos dois principais candidatos me colocaram na caixa de correio.

Desses dois candidatos principais, conheço as promessas e ambos prometem sensivelmente o mesmo:
- redução de impostos;
- melhoria de qualidade no trânsito;
- mais saúde;
- mais segurança;
Que mais posso exigir eu?

Segundo sondagem da Universidade Católica, um dos candidatos à presidência da câmara encontra-se à beira de obter a maioria absoluta. Posso contribuir com o meu voto para o reforço ou redução do absolutismo em perspectiva. Mas o que ganho eu com isso, o que ganha o município com ou sem o meu voto, o que ganha a democracia? Tenho de reconhecer que não ganha nada. Se ambos prometem o melhor dos mundos, e não tendo eu motivos para duvidar das suas intenções nem das suas capacidades para cumprir o que prometem, o meu voto num ou noutro, decidido por moeda ao ar, seria menos democrático do que a minha abstenção. 

Há um conjunto de várias acções que gostaria de ver incluídas nos pacotes de promessas de um qualquer dos candidatos e que, nesse caso, me levaria a votar. Mas a nenhum deles, nem a nenhum dos outros candidatos, ocorreu propor uma, pelo menos uma, dessas medidas, as mais urgentes e importantes das quais se referem a obstáculos de mobilidade viária, que apontei várias vezes já neste caderno de apontamentos.

Quanto às juntas de freguesia repito o que várias vezes anotei neste caderno de apontamentos: considero errada a política, cada vez mais prosseguida e propagandeada de incremento das suas atribuições executivas. Os custos desta política, que considero demagógica, são exorbitantes relativamente aos resultados. 
A Junta de Freguesia onde resido é composta por sete membros, presidente, vogal-substituto, secretário, tesoureiro, três vogais. O quadro de recursos humanos é composto por 25 pessoas, 19 das quais a tempo indeterminado, 2 a tempo determinado, 4 em regime de avença.

Com um orçamento de menos de  1,5  milhões de euros em 2016, o que fez a Junta de Freguesia?
Segundo o relatório, um documento de 167 páginas, emitiu 2583 atestados, cerca de 4 atestados por dia na sede, local com mais actividade que as três delegações, 1,3 licenças de canídeos por dia na delegação mais activa no ramo. Outras actividades: manutenção do cemitério, apoio social a famílias em dificuldade e a outros,  i.e., atribuição de uns patacos, além de actividades relacionadas com a  feira e o mercado, onde não vislumbro que dimensão possa ter qualquer intervenção da junta. 

Reflecti, e já decidi: amanhã não vou votar.

Friday, September 29, 2017

QUEM ESTAVA DE OFICIAL DE DIA NAQUELE DIA?

Qual dia?

"Eu cumpri serviço militar, e lembro-me das minhas obrigações de oficial de dia, e tenho a certeza absoluta que se houvesse algum incidente desta natureza em primeiro lugar a responsabilidade seria minha" - António Costa, Secretário-Geral do PS

 "Não sei se alguém entrou em Tancos. No limite, pode não ter havido furto nenhum. Como não temos prova visual nem testemunhal, nem confissão, por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado... e isto não pode acontecer." - Azeredo Lopes, Ministro da Defesa 


Está a brincar connosco sr. secretário-geral?

Wednesday, September 27, 2017

PEQUENO DESVIO NA CAIXA


Um funcionário da Caixa Geral de Depósitos foi despedido por ter desviado mais de 100 mil euros da conta de uma idosa de 93 anos, institucionalizada e sem familiares conhecidos. 
O estratagema usado para os desvios foi descoberto quando, em Novembro de 2014, o funcionário tentou desviar mais 350 mil euros. 
Instaurado processo disciplinar e decidido o despedimento durante o período em que o funcionário se encontrava em gozo de licença parental, a CGD não pediu parecer à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego a que as empresas estão obrigadas sempre que se trate de despedir um trabalhador em situação de licença parental. 

Decidiu o Tribunal da Relação de Lisboa que o despedimento foi ilícito. E que o funcionário tem direito 

. a ser readmitido sem prejuízo da sua categoria e antiguidade,
. a serem-lhes pagas as retribuições que deixou de auferir desde o despedimento até ao trânsito em julgado,

Da devolução dos valores desviados da conta da idosa não fala a notícia.

Afinal, peanuts se comparados com os milhares de milhões em  calotes engendrados entre caixeiros que, impunemente até agora, manobraram a casa consoante as directivas dos governantes de turno.

Tuesday, September 26, 2017

O JOGO DA CABRA-CEGA


Esta manhã, ouvia-se na Antena 1 o Primeiro-Ministro a indignar-se, alto e bom som, contra "a falta de sentido de Estado do líder do maior partido da oposição" ao pretender que o Governo devia imiscuir-se na investigação de casos (Tancos, incêndios) entregues ao Ministério Público violando o princípio democrático da separação de poderes entre órgão de soberania.

Não tem razão.

A investigação do Ministério Público, e as conclusões e consequências que dela possam decorrer, não impedem que subsista o funcionamento do princípio da responsabilização dentro da cadeia de comando onde ocorreram falhas de controlo dos stocks de armas.
Dito de outro modo: o Ministério Público até pode, por reconhecida incapacidade na obtenção de provas sobre os autores dos roubos ou perdas das armas em falta, decidir o arquivamento dos processos. Mas tal incapacidade não obsta nem justifica a falta de responsabilização daqueles a quem competia garantir a segurança dos locais dos depósitos das armas. 
Não se sabe a quem competiam essas responsabilidades? Sabe-se quem estava no comando dos locais de onde saíram, ou não chegaram a entrar, as armas em falta.

Reconhecidamente, o Governo recusa-se a reconhecer as múltiplas falhas e incapacidade de comando dos Ministros da Defesa e da Administração Interna e sacode a água do capote para cima da independência institucional do Ministério Público.

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Correl . 

"A investigação ao roubo das 57 pistolas Glock do quartel-general da PSP, conduzida pela própria polícia e pelo Ministério Público (MP), está parada. O inquérito criminal foi aberto há mais de oito meses, quando o roubo foi detetado. As pistolas foram furtadas do armeiro, localizado na direção nacional, em estojos juntamente com 18 munições e dois carregadores em cada um. Os investigadores não têm conseguido novas pistas desde que, a 25 de janeiro passado, uma das Glock foi apreendida na posse de um suspeito traficante de droga, no Porto, e outras três, dias depois, apreendidas pela polícia espanhola numa operação em Ceuta, facto que alargou a dimensão da investigação para suspeitas de haver organizações de tráfico internacional envolvidas. Apesar deste já ser um crime da competência da PJ, o MP manteve a confiança na PSP para investigar." - aqui

"O que ontem também continuava por clarificar era a existência do alegado relatório secreto publicado este sábado pelo Expresso e igualmente relacionado com o furto nos paióis de Tancos. Daí resultou a manutenção das especulações sobre o autor ou autores do documento, após ser formalmente desmentida a sua existência nos termos em que foi noticiado pelo jornal." - aqui


Sunday, September 24, 2017

COM UM PÉ NA RATOEIRA

Os bancos não nos dão tréguas.
Podemos esquecer-nos do que alguns nos devem mas eles não se esquecem de continuar a pedir-nos mais.

Depois dos pavoroso incêndios de Verão a evidenciarem a desorganização da Protecção Civil do Território e o roubo das armas de Tancos a surpreenderem o adormecimento da defesa militar, além de outros incidentes estivais, lamentáveis, mas que não merecem registo nestas notas, amansou a maré negra e o país refrescou-se com algumas boas notícias: navegava-se sem sujeição a procedimento por défice excessivo,  o PIB cresce mais que o previsto, reduz-se o défice mais do que era esperado, a Standard & Poor´s tira-nos a dívida do lixo, os juros descem, tudo bom por aí fora. 
Os efeitos da  recapitalização da Caixa e da emperrada privatização do Novo Banco tinham ido a banhos em banho de Maria. 

Pouco tempo depois lê-se:  

"O impacto da capitalização da Caixa Geral de Depósitos no défice e a forma como se registam parte das receitas e despesas com fundos europeus continuam a ser motivo de discussões entre as autoridades estatísticas europeias e portuguesas, constituindo uma fonte de incerteza para o resultado final deste ano" - Público, 22/09/2017

"Faltam €4000 milhões (de recompra de obrigações  para "salvar" Novo Banco da Liquidação. Semana decisiva para futuro do NB. Um falhanço da operação seria, segundo fonte da banca "desastroso para o sistema bancário"Expresso 23/09/2017

Quanto à ameaça para o défice resultante da capitalização da Caixa apressaram-se os do Governo a garantir que as instituições europeias considerarão que "qualquer que seja a decisão que venha a ser tomada quanto ao critério de contabilização dos 3944 milhões investidos na recapitalização da Caixa, o eventual excedente aos limites estabelecidos daí resultante não contará como défice excessivo." 
E o PR afirmou mais ou menos o mesmo.

Contas de faz-de-conta, sempre à espera de mais uma parcela, a mais próxima das quais chegará dentro de dias em nome da salvação do Novo Banco.
O défice é o que, estranhamente, de forma casuística, decidirem os mestres estaticistas. A dívida é que não se verga a critérios discutíveis entre o Eurostat e o INE.

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Correl. - (25/09) - Aqui: "Gigante norte-americano Pimco vai participar na oferta de recompra de dívida do Novo Banco ... Esta decisão da Pimco aproxima a operação de alcançar o sucesso."
(25/09)Défice baixa quase para metade até Agosto

Saturday, September 23, 2017

DEPOIS DA GUERRA DE INSULTOS


Poderá já não haver lugar para a diplomacia.



The rotten rhetoric that spans time and oceans: Political insults

Anda meio mundo preocupado com a guerra de insultos entre Trump e Kim Jong-un.
O outro meio ou anda distraído ou encolhe os ombros convicto que, não podendo mandar calar os perigosíssimos cretinos, espera que, havendo guerra nuclear, os estilhaços não os atinjam. 
Nos últimos dois dias, na sequência do discurso-ameaça de Trump feito nas Nações Unidas  de, se for necessário, destruir a Coreia do Norte, ripostou o monarca, comunista,  norte coreano que "definitivamente, dominará pelo fogo esse caquético americano". 

A guerra de insultos é, provavelmente, tão antiga quanto a existência da espécie humana. 
A grande e decisiva diferença está no facto de nunca, como hoje, ela estar ameaçada por uma guerra da qual poderá não sobrar ninguém para contar como foi. 
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Wednesday, September 20, 2017

HÁ CÃES QUE LADRAM E MORDEM


Mr. Trump discursou ontem pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU.
E voltou a atirar ameaças em vários sentidos: Coreia do Norte, Venezuela, Cuba, Irão, acusando, de passagem, Obama de um mau negócio, mas foi o monarca ditador da Coreia do Norte (Trump alcunhou-o de Rocket Man) o principal alvo da sua incontinência verbal: "A prioridade da política externa da América é, se for necessário, a destruição da Coreia do Norte", o mesmo é dizer, um ataque nuclear que eliminará 25 milhões de pessoas. 
Ouvindo isto, os representantes da Coreia do Sul e o Japão - cf. aqui - "mostraram-se nervosos e surpreendidos". E não é caso para menos. Ainda hoje, amanhã, ou daqui a uns dias, o "Rocket Man" responderá a Trump no mesmo registo e lançará mais um rocket que, eventualmente, propositadamente ou por engano*, pode cair onde Mr. Trump espera que caia para carregar no botão que "destruirá a Coreia do Norte".

Só por inconsciência do potencial das ameaças dos stocks crescentes e crescentemente dispersos do arsenal nuclear se pode pensar que, se esse potencial não for eliminado, um dia, Trump e Kim Jong-un, ou outra parelha semelhante, não eliminarão a espécie humana. 

Ao lado de Trump, o Secretário-Geral António Guterres disse o que Trump queria ouvir - aumentar a eficácia da ONU, reduzindo-lhe os custos - e o que não queria: a ameaça nuclear (desde a Guerra Fria que as ansiedades globais não são tão elevadas), o terrorismo (as ameaças de mão pesada são contraproducentes), as alterações climáticas, a desigualdade e globalização injusta, a dark web (o lado negro da inovação e da tecnologia) as migrações e os refugiados. 

Trump esteve ao nível a que habituou o mundo. Abaixo seria impossível.


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Correl . 

"Ex-tenente-coronel Petrov tinha tudo para começar um ataque nuclear da União Soviética contra os Estados Unidos. O ex-soldado soviético responsável por ter impedido que o mundo entrasse numa guerra nuclear em 1983, durante a Guerra Fria, morreu aos 77 anos. Stanislav Petrov morreu em Moscovo a 19 de maio, mas apenas agora a sua morte foi anunciada. Petrov estava destacado no posto de comando soviético Serpukhov 15 a 26 de setembro de 1983 quando os monitores e painéis mostraram que os Estados Unidos acabavam de realizar um lançamento de mísseis. Na altura o tenente-coronel com 44 anos tomou a decisão de ignorar o alerta do sistema, que acabou por revelar-se um erro dos computadores. O ex-militar tinha todos os motivos para alertar os superiores sobre o ataque, o que faria com que a União Soviética retaliasse, lançando também mísseis. Isto poderia ter sido o início de uma guerra nuclear."aqui


Monday, September 18, 2017

ÁGUA NA FERVURA


No El País de hoje pergunta-se "¿Por qué España ha perdido tanto dinero con el rescate bancario y otros países no?

E Portugal?
Segundo dados calculados pela Comissão Europeia Portugal, terá perdas de cerca de 7% do PIB no resgate ao sistema bancário, um valor muito superior ao de Espanha (4,3% do PIB), muito mais que a média dos custos suportados pelos 28 países da UE (1,5%) e  mais de três vezes e meia que na euro zona (1,9%). 
Pior que Portugal, a Irlanda (17%), Grécia (15,6%), Eslovénia (13,3%), Chipre (10,7%)

Valores provisórios que, tudo leva a crer, no caso de Portugal virão a ser substancialmente agravados considerando as situações em litígio ou ameaça de litígio, com destaque para o caso BES.

Para o articulista do El País, a opinião generalizada dos economistas vai no sentido de apontar, em Espanha  a culpa de tantas perdas à "la tardanza en reaccionar y la profundidad de la crisis promotora e inmobiliaria" .
Por cá, também durante muito tempo políticos e banqueiros, incluindo o Banco de Portugal, insistiram no convencimento da opinião pública que o sistema estava sólido e não havia bolha imobiliária em Portugal. 
Não diziam a verdade.

Mesmo hoje, depois do suporte dado pelos contribuintes à quase totalidade dos bancos, o sistema não está sólido, e, avisa o FMI no World Economic Outlook divulgado em meados de Julho, "há um legado de problemas por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses". É certo que a colocação, a semana passada,  pela Standard and Poor´s, do rating da República Portuguesa  fora da zona de lixo, irá reduzir os juros nas contas públicas e particulares, e ouviu-se esta manhã o ministro das Finanças reafirmar a redução da dívida pública para 127,9% no fim do ano.
Assim seja. Mas mesmo que assim seja a dívida ainda se manterá em níveis elevados relativamente ao PIB (dos mais elevados do mundo) e extremamente sensíveis às taxas de juro, que não se manterão para sempre a rasar o zero.

De braço dado e punho esquerdo erguido os camaradas Jerónimo de Sousa e Arménio Carlos andam desassossegados com a "ditadura do défice e da dívida" e, coerentemente, continuam a repudiar os ratings mas a aproveitar a folga dada pela S&P.
No actual contexto político, contudo, as ameaças subsistem mais do lado da banca que do político partidário.
Pelo menos é assim que nos vêm os outros. E isso conta, ainda que o PCP e seus satélites continuem a pregar o contrário.
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Correl . - (19/09)
Recapitalização da CGD deve ir toda ao défice A posição preliminar do Eurostat defende que toda a recapitalização da CGD deve ter impacto no défice. As autoridades nacionais discordam e enviaram novos argumentos para tentar evitar um impacto que colocaria o défice acima dos 3% do PIB. (19/09)

Parlamento volta a debater a sustentabilidade da dívida

Casalinho e PS divergem no alongamento da maturidade da dívida

Rússia prepara resgate de mais um banco (20/09)

Saturday, September 16, 2017

PELO DIREITO À ABSTENÇÃO*

É incontroverso que o futebol, enquanto fenómeno de excepcional excitação popular, é, de longe, muito mais mobilizador das apetências dos portugueses que os problemas da governação, central ou local, do país.
Desta concorrência resulta, necessariamente, o decréscimo da participação eleitoral se houver eleições em dias de jogos. Será esse decréscimo relevante para os resultados finais?

Parece que não.
Muitos correlacionam democracia com participação eleitoral e, inversamente, menos democracia com aumento de abstenção eleitoral.
Sabemos que não é assim.
As participações eleitorais mais elevadas observam-se geralmente em regimes não democráticos ou de menoridade democrática. Por outro lado, em democracias maduras, a abstenção é geralmente elevada, aproximando-se não raramente dos 50%. 

O voto é um direito não é uma obrigação. A abstenção é, implicitamente, um direito, o direito de não votar, e não uma falha cívica.
A imposição de voto, legal ou dissimulada, é uma afronta aos direitos dos cidadãos.
Se um cidadão prefere ausentar-se da sua área de residência, onde é suposto poder (não, dever) votar, para assistir a um jogo de futebol, ou outra actividade qualquer, ninguém pode negar-lhe esse direito ou sequer recriminar a sua abstenção eleitoral.
Inversamente, a participação forçada, por qualquer meio, ainda que subtil, constitui uma denegação desse direito.
Ocorre-me, a este propósito, o transporte de pessoas debilitadas para as assembleias de voto, transformadas em eleitores geralmente inconscientes do sentido do voto que previamente lhes indicaram.

Nos EUA e no Reino Unido as eleições são realizadas em dias de trabalho e não existem incentivos (dispensa de trabalho, p.e.) para votar.**
Vota quem quer votar, quem está (ou pensa que está) consciente das consequências do seu voto. A abstenção é geralmente elevada mas não é assunto que classifique o nível democrático.

Tem o nível de abstenção influência nos resultados finais?
Em democracias maduras, não.
É facilmente demonstrável que, estatisticamente, uma amostra de 50% é mais do que suficientemente representativa do conjunto total de eleitores.
Se todos votassem os resultados corresponderiam ao padrão votante. 
É verdade que por um voto se ganha e por um voto se perde, a democracia determinada pelo voto popular não é um sistema perfeito mas, como dizia o outro, é o pior regime com excepção de todos os outros. 

Resumindo: O futebol (como a missa ...) influencia a participação eleitoral? Sim.
Daí resulta um enviesamento da genuinidade dos resultados? Não.


Salvo melhor opinião.

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* Comentário colocado aqui
** Ressalva-se a possibilidade de os eleitores norte-americanos depositarem o seu voto antes do dia das eleições. 

Friday, September 15, 2017

REPUXOS ELEITORAIS


Em Sintra.
Os repuxos estavam secos e apagados, esquecidos das funções há muito tempo. Ressuscitaram há dias. Num (na rotunda junto dos parques de autocarros e automóveis ) para além dos repuxos, luminosos à noite, verdejou-lhe a relva coroada de petúnias (ou de impacientes?). No outro, na rotunda da Avenida Heliodoro Salgado, segundo se lê aqui, foram feitas obras de reabilitação do repuxo, que já repuxa.

A cena repete-se de quatro em quatro anos: as ruas e as rotundas são encharcadas de cartazes com as fronhas dos candidatos, as obras multiplicam-se apressadamente, a tempo de pescarem os recandidatos os votos suficientes que os manterem nos cargos.

Este ano a generalidade dos candidatos às presidências municipais fez-se retratar com os candidatos a presidentes das freguesias, e, em alguns casos, com os candidatos às presidências das assembleias municipais. É uma enxurrada de cartazes a conspurcar o ambiente, a distrair, por vezes a dificultar, a visão dos automobilistas, mas a animar a indústria publicitária.

Ainda a propósito destes repuxos, que por obra e graça das eleições autárquicas voltam a dar, provavelmente por pouco tempo, sinais de vida, ocorre-me uma dúvida acerca de a quem atribuem os votos aqueles que ficarão encantados pelos repuxos:  à Câmara ou à Junta de Freguesia do sítio?
Eleitos em listas separadas, os executivos municipais podem não coincidir, e muitas vezes não coincidem, em programas partidários com os executivos das juntas de freguesia. A quem pertence o mérito de repor um repuxo a repuxar? À Câmara ou à Junta?

Numa altura em que, do meu ponto de vista, mal, o primeiro-ministro entende que a eficiência da administração local se reforça com transferência de competências para as juntas de freguesias, é importante perceber até onde vai a responsabilidade, e portanto o mérito ou demérito, dos executivos camarários e os das juntas, uma vez que estas não são nomeadas pelas câmaras nem são, em muitos casos, da confiança da maioria partidária daquelas.

Esta confusão de responsabilidades é sobretudo muito evidente quando, como é o caso que deu azo a este apontamento, há coincidência entre o domínio territorial da sede municipal e o das juntas que se inscrevem nesse domínio.
Quem deve ser penalizado ou premiado pela apreciação do trabalho de quem cuida ou não cuida do repuxo? A Câmara ou a Junta? E o corte da relva? E os problemas de trânsito? E a sujidade das ruas?
E os buracos das ruas? E Et cetera?

Em resumo, repito: para que servem e quanto custam as Juntas de Freguesia?
Poucos portugueses, relativamente poucos, saberão responder, salvo se por insofrido ânimo partidário ou bairrismo frenético as considerarem inexplicavelmente imprescindíveis.

Thursday, September 14, 2017

E QUEM CORTA A RELVA?


- Tanto cara por aqui em placard, vai haver eleição presidencial?
-  ...
- Autárquicas? 
- ...
- Ah, já entendi ... Nós lá chamamos de prefeitura. O povão elege o prefeito e os vereadores, e as subprefeituras são nomeadas pelo prefeito. Aqui quantos concorrem?
- ...
- Tantos? É muita gente. 


É bem bonito, sim senhor! Muito jóia! Mas não tem cuidado a relva nem os buxos, não. 


- E qual destes caras não corta relva?

A UVA DA MINHA VIZINHA















é sempre maior que a minha (meio metro, um quilo e meio ... )

em maçãs peço meças

SUJEIRA LUSO DESCENDENTE

...

"Medina fez dois bons negócios com casas em Lisboa . Autarca vendeu apartamento com ganho de 36% em dez anos. E comprou um duplex de luxo por menos 23% do que a vendedora tinha pago, também há dez anos. Medina diz que vendeu pelo preço que pediu e que comprou pelo preço que lhe pediram." aqui

"Câmara do Porto alega fraude e tenta anular compra dos terrenos da Selminho.  Município liderado por Rui Moreira reclama no tribunal posse de terrenos na Arrábida registados em nome da família de Rui Moreira. Selminho adquiriu-os na sequência de uma alegada apropriação fraudulenta." aqui

"Caso Tecnoforma arquivado. Relvas espera pedidos de desculpa. O caso remonta aos anos de 2002 a 2004. Em causa estava a atribuição de fundos comunitários à empresa onde então trabalhava Passos Coelho, mas parte dos factos já tinham prescrito quando foram conhecidos."aqui

"Comandante da Protecção Civil fez o curso quase todo por equivalências . Rui Esteves já era comandante distrital da Protecção Civil quando se licenciou. Ao longo de quatro anos no cargo pediu equivalências, por experiência e cursos de formação, em 32 das 36 unidades curriculares."aqui
...

- Que te parece isto?
- Olha, a sujeira de cá é parecida com a sujeira de lá. Só que a de lá é um pouco maior. 
Me sinto como em casa. 

Saturday, September 09, 2017

260 ANOS DEPOIS




 "São as lésbicas que provocam os tufões, como o Irma e o Harvey? Deus sabe.
Rush Limbaugh (comentador televisivo, conservador evangélico) - Agosto 2017

O tufão Harvey é o julgamento divino da América
Jim Bakker (pregador televisivo, cristão evangelista) - Agosto 2017

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"Aprende, Oh Lisboa, que os destruidores das nossas casas, palácios, igrejas, e conventos, a causa da morte de tantas pessoas e das chamas que devoraram vastos tesouros, são os pecados abomináveis, e não os cometas, as estrelas, vapores e exalações, e outros fenómenos naturais." -
Padre Gabriel Malagrida - Juízo da verdadeira causa do Terramoto, 1756 


"Após o terramoto que destruiu três quartos de Lisboa, não descobriram os homens mais sensatos do país uma solução mais eficaz para prevenir a destruição total do que proporcionar ao povo um esplêndido auto-de-fé. Foi então decidido pela Universidade de Coimbra que um infalível segredo para prevenir terramotos seria queimar lentamente, numa grande cerimónia,  a vista de várias pessoas" - Voltaire - Candide - 1759

Thursday, September 07, 2017

MAIS UM VEÍCULO MAL PARADO


Soube-se hoje - vd. p.e. aqui que 

"O Governo chegou a acordo com a CGD, o BCP e o Novo Banco para resolver o problema do crédito malparado empresarial que está a contaminar o sistema financeiro. Uma solução que vai envolver a Instituição Financeira de Desenvolvimento, vulgarmente designada de banco de fomento, como uma das fontes financiadoras do mecanismo. A solução encontrada visa melhorar o balanço dos bancos e impedir que empresas em dificuldades, mas viáveis, acabem liquidadas. ... 
Na prática, o veículo terá a figura de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE) que será criado pelos três bancos e ficará responsável pela recuperação dos activos problemáticos e sua possível comercialização... 
Dos cerca de 30 mil milhões de euros de crédito malparado contabilizado pelo sector bancário, apenas metade está devidamente provisionado, com o restante valor a necessitar de limpeza: 4,5 mil milhões estão no Novo Banco, quatro mil milhões estão na CGD, mais de três mil milhões estão no BCP e cerca de dois mil milhões no Montepio. E deste bolo à volta de 30% resultam de uma exposição a empresas afogadas em dívidas."

Em resumo: salvo uma outra excepção, os bancos portugueses (a designação é imprecisa mas é de uso comum), depois das recapitalizações feitas com ajudas públicas, continuam com os balanços rotos por calotes que não conseguem cobrar, e dos quais apenas cerca de metade se encontra provisionado, isto é, já reconhecido nos resultados.
Como, tal como estão, ficam os bancos mal na fotografia, depois de ter sido posta de parte a hipótese de um veículo chamado banco mau (como se houvesse bancos bons ...) o Governo observou que tinha na cartola um nado-morto e, helás!, sacou dele e transformou-o em veículo para carregar com os calotes dos bancos e fazer aquilo que os bancos não conseguiram fazer.
Nada de novo. Com outros nomes, veículos destes há vários mal parados. 
Desta vez chama-se, vulgarmente, ironicamente, Banco de Fomento...  
Vai haver perdas, enormes perdas.
Quem as suporta?

Pois é. 

Sunday, September 03, 2017

A BOMBA DO DIA


O ditador norte-coreano continua divertir-se com a ameça de uma guerra nuclear.
Soube-se esta manhã* que a Coreia do Norte detonou uma bomba de hidrogénio com uma potência destruidora cerca sete vezes superior aquela que destruiu Hiroshima há 72 anos causando 250 000 vítimas entre mortos e feridos. 
Uma bomba com estas características pode, segundo as notícias, ser acoplada a um míssil capaz de atingir o continente norte-americano.

Objectivamente, já se anotou antes, o ditador norte-coreano acaba por ser, continuando Trump a atirar bujardas tuitadas em todos os sentidos, o chapéu mais consistente do funâmbulo instalado na Casa Branca. 
Se, um dia destes, o atrevimento do monarca absoluto em Pyongyang ultrapassar os limites do tolerável pela ainda indiferença do mundo livre, quem se atreverá a impedir que o funâmbulo desencadeie o holocausto nuclear?

A sobrevivência da espécie humana está, cada vez mais, por um fio.

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*
"North Korea sharply raised the stakes Sunday in its standoff with the rest of the world, detonating a powerful nuclear device that it claimed was a hydrogen bomb that could be attached to a missile capable of reaching the mainland United States.
Even if Kim Jong Un’s regime is exaggerating its feats, scientific evidence showed that North Korea had crossed an important threshold and had detonated a nuclear device that was vastly more powerful than its last — and almost seven times the size of the bomb that destroyed Hiroshima. -  aqui 

Saturday, September 02, 2017

CHEGOU, VIU E MENTIU





President Trump visited Texas on Tuesday and claimed he was in the thick of things.

...  don't forget the bigger picture: https://www.theguardian.com/us-news/ng-interactive...

Friday, September 01, 2017

O CALCANHAR DE CENTENO 2


O Banco de Portugal divulgou hoje aqui a evolução recente da Dívida Pública até ao fim de Julho.
Voltou a aumentar, rondando agora os 250 mil milhões.
Líquida de depósitos, a DP era de 230,3 mil milhões, 
Nuno Carregueiro do JN online volta a expressar aqui, em gráficos muito elucidativos, a evolução desse crescimento, que parece imparável. Parece ou é?
Enquanto a taxa de crescimento económico nominal for inferior à taxa média de remuneração da dívida, e é essa a situação previsível até ao fim do ano, cifrando-se a diferença em mais de um ponto percentual, a dívida em relação ao PIB continuará a subir, salvo se o saldo primário fosse suficientemente positivo para pagar a factura dos juros e amortizar dívida. Mas não vai ser.

Mas o ministro M Centeno afirmou, cf. aqui, que a dívida pública irá baixar até ao fim do ano dos actuais 132 vírgula umas décimas para os 127,9% estimados pelo Governo. 
A evolução da DP relativamente ao PIB é a prova ácida da gestão das finanças públicas, sobretudo quando, como é o caso, os níveis atingidos tornam a sua contenção muito dependente de factores externos.
Para que a relação entre a Dívida Pública e o PIB seja reduzida em cerca de 4,5 pp até ao fim deste ano (de eleições autárquicas) forçoso se torna que o ministro tire da cartola um extraordinário par de coelhos. Aliás, nada que não tenha sido recurso recorrentemente usado pelos vários governos, umas vezes por indisciplina grossa na gestão das finanças públicas outras, sobretudo desde 2008, porque as colisões bancárias têm provocado, e continuam a provocar, grossos rombos nos cofres públicos.

" ... a pressionar em alta (o endividamento público em Julho) também esteve o "acréscimo de empréstimos no montante 0,1 mil milhões de euros, resultante do aumento de empréstimos junto de bancos residentes, com destaque para o acordo assinado entre o Estado e o Banco Santander Totta respeitante aos contratos de derivados com empresas públicas de transportes (2,3 mil milhões de euros)" - cf. aqui.


Como é que M Centeno vai descalçar esta bota?

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Correl . Hoje às 21,40 - Depois da Fitch, ontem foi a Moody’s a pôr a dívida em outlook positivo”. Agência só quer menos défice e dívida, e retoma ampla. - cf . aqui