Thursday, November 29, 2012

CARTA ABERTA

Carta aberta de 70 personalidades pede a Passos Coelho que se demita,  é o título da notícia no Público, que publica a carta em questão e os nomes dos signatários. Soares e 77 personalidades exigem demissão de Passos, o título no Diário de Notícias.
 
Setenta ou setenta e sete, a diferença é irrelevante. O que realmente conta é o objectivo da carta: "interpretar o clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ... "       
 
Portugal é um país com uma longa tradição de abaixo assinar. Nada de original, portanto, nesta carta das setenta ou setenta e sete personalidades que publicamente se fizeram intérpretes da exigência pública para que o primeiro-ministro se demita se não se decidir a alterar as opções políticas que vem seguindo.
 
São inconsistentes os considerandos e enviesadas as conclusões? Não são. Ninguém, nem sequer o primeiro-ministro, tem dúvidas que a opinião pública reprova, maioritariamente, hoje, e reprovará muito mais amanhã, as medidas de austeridade que lhe levam o couro e o cabelo. E que eleições legislativas antecipadas determinariam, muito provavelmente, a queda do governo. Nesse caso, que sequência governativa recomendariam os signatários da carta aberta?  Um governo minoritário do PS, ou, muito surpreeendentemente, uma coligação de esquerda incluindo o PCP e o BE, ou apenas um deles com o PS? 
 
Por onde andavam os setenta e tantos quando a dívida subia a níveis que nos colocaram o País à beira do abismo há cerca de dois anos atrás, ainda não governava Portugal o senhor Passos Coelho? Por que não os convocou nessa altura a urgência de reclamar a mudança de política que há muito tempo se impunha e que só a força das circunstâncias tão tardiamente acabou por derrubar o governo de então?
 

3 comments:

aix said...

Rui, o problema é que o Coelho mentiu descaradaamente ao Povo na campanha (como é referido no texto da carta)...e agora quem parece ser o Primeiro é o Gaspar como ontem foi referido em alguns painéis...de resto os peticionários (que 'aliás' exercem um legítimo direito democrático de contestação) só pedem a demissão como alternativa à não mudança de orientação política. Eles (como muitos de nós) sabem que como dizia George Lukacs «não há filosofias inocentes» e o argumento estafado da 'pesada herança'levar-nos-ia 'in limine' até ao D. AfonsoI. A verdade verdadinha é que os anteriores não me 'roubaram' (nem a ti)boa parte dos rendimentos que nos pertenciam.Desculpa mas para mim o'não falaram antes' é treta para branquear a patifaria que nos estão a fazer.Aposto em como os que vierem a seguir, com ou sem eleições, vão dizer que estes nos lixaram.Abç

rui fonseca said...


Caríssimo Francisco,

Concordo em parte com o que dizes, mas aos signatárioa da carta aberta, a começar pelo primeiro, que, aliás, foi protagonista de um programa de austeridade quando a situação do país, apesar de tudo, não era tão dramática como a de agora, falta força moral para afirmarem o que afirmam quando se mantiveram calados quando os níveis de endividamento subiam
animados pela ganância dos banqueiros e a demagogia dos políticos.

A verdade, meu caro, é que foram eles, e não estes, que nos colocaram na armadilha da dívida.
Devia o actual governo proceder de outra maneira? Devia. E escrevi isso mesmo antes das eleições terem dado a maioria à coligação PSD/CDS.

Sempre fui da opinião, era Sócrates era e ainda foi durante algum tempo primeiro-ministro que, considerando a dimensão da crise, Portugal precisava (precisa) de um governo que abarque os três principais partidos. E que, quem pegasse sozinho no tição, ficaria esturricado em pouco tempo.

Esse foi o grande erro de Passos Coelho: ter dispensado o PS de rebocar o fardo que o governo anterior, sobretudo, mas não só, tinha engendrado.

Anonymous said...

Não é despedindo um que vai resolver, vem logo outro a seguir.
Devia tratar-se do problema de raíz. E também não falo da dissolução do governo, isto só vai lá com mudança profunda que mexa em tudo e não só na vida do cidadão comum.