Friday, April 02, 2010

TRIO COMPLICADO

A participação do FMI no esforço para desatar o nó grego (que aqui comentam) não será facilmente acomodável no trio que envolve também necessariamente a Grécia e a União Europeia (onde prepondera um outro trio: BCE, Alemanha e os outros membros do SME) mas é inevitável pela simples razão de ter sido esquecida a criação de um instituto europeu que prevenisse a ocorrência da bancarrota de um membro do SME e assegurasse a sua solução se ela se tornasse iminente. Pelos vistos a ninguém ocorreu que tal situação pudesse vir a acontecer. Ou se ocorreu, fizeram vista grossa esperando uma daquelas soluções casuísticas com que também se tem construído a UE.
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Sem meios institucionais para poder intervir e a Alemanha compreensivelmente indisponível para safar os gregos e os que vierem a seguir (anotei isso há meses atrás neste caderno) o FMI apresenta-se como o elemento que faltava ao trio e a quem competirá fazer o papel do mau da fita sem que ninguém possa excomungá-lo ou exercer retaliações contra ele.
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Perguntar-se-á: Mas como o FMI intervir se uma parte do seu receituário (a desvalorização da moeda) está interdito? E como se compatibilizam as exigências do FMI com as estipuladas nos tratados europeus? Não me parece que sejam essas as questões que podem embaraçar a intervenção do FMI. Sem desvalorização da moeda as medidas alternativas impostas pela UE serão de dosagem mais forte mas de efeitos mais imediatos. E a questão que se coloca não é se FMI e UE se entendem mas se os gregos (e os que vierem a seguir) vão suportar o tratamento.
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Tudo conjugado, continuo a pensar que, para que tratamento tão penoso, é indispensável informar os gregos (e os que vierem a seguir) e perguntar-lhes em referendo se o aceitam ou preferem voltar aos dracmas (aos escudos). Mais tarde poderá não haver tempo para esclarecimentos porque preponderarão os argumentos demagógicos.

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