Friday, October 26, 2007

A TREPADEIRA

Tavares Moreira em Quarta República comenta mais uma vez a propósito da escalada de juros que continua a formar-se à volta da economia portuguesa. Estando as taxas a níveis ainda relativamente moderadas, acrescente-se.
.
"Se me perguntarem onde vamos parar,por este caminho, reservo para já a minha resposta..."
.
Caro Tavares Moreira,
.
Pois, com sua licença, eu, como não pago imposto por isso (o Ministro das Finanças ainda não se lembrou de um imposto sobre a asneira, que lhe resolvia o défice) arrisco a minha perspectiva:
.
Segundo notícias de há dias a Banca portuguesa tem no crédito ao sector imobiliário um encavanço de 57%, em média. São os novos senhorios. Mais a Caixa e o Montepio, menos o BPI, quase todos dependem hoje, em grande parte, da sua condição de senhorio.E não vão querer (ou poder) deixar de o ser e crescer.
.
Como a economia está quase recoberta por esta trepadeira que é a construção civil se um dia destes a trepadeira apanha uma moléstia a economia desmorona-se. Se não existissem em muitos casos as garantias pessoais que amarram os arrendatários aos novos senhorios, o muro desmoronava-se mais cedo. Havendo garantias pessoais, a amarração pode aguentar a situação mais tempo.
.
Em todo o caso, nem as trepadeiras crescem até ao céu. E se os juros se enlaçarem a elas vem tudo abaixo em três tempos.
.
Está a acontecer na América. Mas aí há vários tipos de trepadeiras. As moléstias são mais perigosas no caso de culturas extensivas.
.
É escusado dizer que eu percebo pouco de botânica.

No comments: