Tuesday, April 25, 2017

QUADRILHA INTERNACIONAL

Trump amava Putin, que amava Le Pen,
que amava Putin, que amava Trump,
que amava Le Pen,
que amava Trump,
que amava Xi Jinping,
que amava Kim Jong-un,
que não amava ninguém,
até ao dia em que Kim Jong-un disse
que os seus mísseis podem atingir Washington ou Nova Iorque,
que pode mandar o porta-aviões nuclear norte-americano "Carl Vinson" ao fundo,
que vai varrer a América da face da Terra.
Ouvindo isto Xi Jinping disse a Kim Jong-un
Acalma-te Kim Jong-un,
amo-te mas também amo Trump.
Assim sendo também deves amar Trump.
Kim Jong-un respondeu:
Amá-lo-ei porque ele tem um penteado que é tal e qual o meu.


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QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento, 
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade , "Nova reunião". Rio de Janeiro: J. Olympio, 1985.

Monday, April 24, 2017

QUADRILHA NACIONALISTA

- Em quem votarias na segunda volta se votasses em França: em Macron ou em Marine Le Pen?
- Nem num nem noutro! Abstinha-me!
- Abstinhas-te?
- Abstinha-me. 

A pergunta foi feita a um dos participantes do "Eixo do Mal", aquele que foi membro da Juventude Comunista nos anos 80, saiu do PCP para participar na fundação da Plataforma de Esquerda, migrando três anos depois para participar na fundação do Bloco de Esquerda, abandonando a militância partidária oito anos mais tarde.

Quantos militantes ou ex-militantes da esquerda comunista ou da extrema-esquerda assumirão em 7 de Maio a mesma posição de Daniel de Oliveira? Quantos, dos que votaram em Fillon, Hamon, apesar das indicações de voto em Macron se absterão ou votarão em Marine Le Pen? Quantos dos que votaram em Mélenchon, que ainda não deu até agora qualquer indicação de voto, votarão em Le Pen ou se absterão? As sondagens dão a Macron uns folgados 68% contra Le Pen na segunda volta mas serão as sondagens tão certeiras quanto o foram na primeira? 

O assunto não é despiciendo mas não foi por essa razão que me ocorreu comentar a resposta de um ex-comunista-plataformista-bloquista-independente-até-mais-ver. O que parece inédito, mas não é, nas actuais tendências do eleitorado em regimes democráticos é a vaga da sedução pelos extremos, sejam eles de direita ou de esquerda, sobretudo do eleitorado mais jovem, que leva à formação de frentes nacionalistas que juntam comunistas, ex-comunistas-saudosistas, fascistas, racistas, xenófobos, chauvinistas, neo-nazis, e outros extremistas contra a democracia e a Europa. É a sedução nacionalista, num lado e noutro dos extremos, que, novamente, setenta anos depois do último grande
conflito bélico mundial, encaminha para a desagregação a frágil unidade europeia ainda que a provável vitória de Macron a 7 de Maio possa conter o avanço nacionalista na Europa durante os próximos anos.

Dos nove candidatos que concorreram na primeira volta às eleições para a presidência francesa, apenas Emmanuel Macron, que não é suportado por nenhum partido, se afirmou europeísta convicto. Recolheu apenas 23% dos votos, um número suficiente para o colocar na segunda volta e, muito provavelmente, ser presidente de França dentro de duas semanas, mas que confirma que a União Europeia continua sem partidos nem cidadãos que inequivocamente se assumam como europeus.
E sem europeus, Europa continuará a ser apenas nome de um continente de estados-nações condenados a agredirem-se uns aos outros ad seculum seculorum.


Friday, April 21, 2017

PARA ACABAR COM OS LESADOS DOS LESADOS


A foto está num artigo do Público de hoje

Banca : venda abusiva de produtos aos clientes punida com expulsão - Venda que viole regras será punida com a perda do registo para funções de gestão, direcção, administração ou fiscalização na banca. Telefonemas com clientes passam a ser gravados"

Não sei qual vai ser a reacção dos banqueiros a estas intenções que, pelo que se lê no artigo, terão origem em directivas comunitárias. 
O que sei é que não se reparam com mais leis e regulamentos o que, na origem, por estar mal enquadrado voltará a repetir-se.  Às leis e regulamentos responderão os banqueiros com a sua infinita capacidade inventiva e enorme influência junto do poder político para, com o passar do tempo, tornar as leis redundantes. 

A lei que falta é a segregação das operações dos (intencionalmente mal) designados "bancos de investimento" das operações não especulativas. Quem investe na bolsa, directamente ou através de "fundos de investimento" confeccionados pelos bancos,  assume (deve assumir) o risco das suas apostas, independentemente das influências de terceiros que possa ter recebido verbalmente ou por escrito. E nunca será (deveria ser) diferente por mais legislação parida sobre o assunto. 
O que não é, mas deveria ser diferente, é a cobertura que os governos, com os dinheiros dos contribuintes, têm vindo a conceder a banqueiros e a investidores, uns gulosos, outros ignorantes, pelas perdas observadas na generalidade dos tais produtos pútridos vendidos pelos bancos.

Aqueles que, como os mostrados na foto acima, reclamam "as suas poupanças", considerando-se lesados das consequências dos investimentos que fizeram, e responsabilizam o "Estado que não os protege, mas rouba" deveriam saber que investir em produtos financeiros envolve risco e que esse risco é (tem de ser) responsabilidade sua, unicamente sua. Se assim não for, e não tem sido, o que os "lesados da banca" pretendem, e, de algum modo têm conseguido, é que os outros, aqueles não foram vistos nem achados no assunto tenham de pagar as consequências negativas das apostas que fizeram.

Falta uma lei que separe completamente as operações bancárias das operações de casino. 
E falta, talvez, um aviso: à semelhança do aviso obrigatoriamente estampado nos maços de tabaco deveria ser obrigatório colocar nos balcões ou salões onde se vendem produtos financeiros a indicação, em evidência, "comprar fundos pode arruiná-lo financeiramente".


Wednesday, April 19, 2017

BRINCANDO AO FAZ DE CONTA QUE É DEMOCRÁTICO

Lê-se aqui que

"O Orçamento Participativo Portugal é um processo democrático, directo e universal, através do qual as pessoas decidem sobe investimentos públicos em diferentes áreas da governação. Através do OPP as pessoas podem decidir como investir 3 milhões de euros"  e que " O OPP abrange a totalidade do território português, integrando grupos de propostas de âmbito territorial diferenciado:
1 por cada área das NUT II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve); 1 por cada região Autónoma. Ests grupos não concorrem entre si, tendo cada um deles a sua dotação financeira. Cada região do país terá sempre assegurada a existência de projectos vencedores no OPP no seu território" 

Este projecto anunciado pelo Primeiro-Ministro em meados do ano passado imita iniciativas, com intenções idênticas, promovidas por algumas autarquias. Ainda recentemente, anotei aqui a multiplicidade de outdoors colocados pela Junta de Freguesia das Avenidas Novas para um concurso de ideias - Se fosse eu a mandar - suportado por um orçamento de 150 mil euros.
Quanto custaram apenas os outdooors? perguntei, mas não obtive resposta.
Considerando o valor do orçamento e o provável custo da promoção do concurso depreende-se que o objectivo último deste brincar ao faz de conta que é democrático é a implícita mas camuflada compra de votos nas próximas eleições por quem se encontra agora no poleiro.

Esta manhã, ouvi na Antena 1 que o OPP a nível nacional levou o grupo incumbido da promoção a percorrer 10 000 quilómetros para contactar 2000 pessoas, o que dá uma média de 5 quilómetros para incentivar uma pessoa a concorrer.
Quanto custa a promoção deste concurso a nível nacional em que, vd. aqui, se propõe eleger projectos que representam 0,0035% do Orçamento do Estado?
O entusiasmo da equipa de promoção é enorme, dizem: a iniciativa já teve repercussão na imprensa internacional e até em "Harvard" há quem olhe o OPP com notável interesse ...

E eu pergunto aos meus botões: Não se arranjam mais 3 milhões para um concurso de âmbito judicial que convide juízes, procuradores, advogados, solicitadores, e demais agentes na administração da justiça, que, com dispensa de outdoors e viagens insuspeitas pelo país, elejam um conjunto de projectos que eliminem a vergonha que o relatório da União Europeia sobre o estado da Justiça vem denunciando ano após ano, cf aqui:
Os Tribunais portugueses demoram em média 710 dias a resolver litígios, apenas Chipre consegue pior, 1085 dias, na Dinamarca, não mais que 17.

Se não há é porque não dá votos!



Tuesday, April 18, 2017

O MILAGRE DO ZIGUEZAGUE

Segundo me é dado aperceber pelo que leio, a redução da despesa incidiu sobre o fornecimento de serviços e produtos, e presumo que haverá algum mérito nisso.

A redução do investimento público em equipamento não tem colocado em causa, suponho, o regular funcionamento dos serviços. E quanto ao investimento em infraestruturas, as câmaras têm-se encarregado de animar alguns empreiteiros locais. Há agora ciclovias desde norte a sul, em Bragança até instalaram escultura no começo do traçado ao longo do Fervença. 






Em Bragança 22 quilómetros de ciclovias integram um plano de desenvolvimento de 25 milhões de euros.
Em Lisboa, é o que por aí se vê de obras que, são favas contadas, irão garantir a vitória do sr. Fernando Medina em Outubro. 

Quanto ao facto de descer o défice e subir a dívida só há uma explicação possível e nenhum milagre: há despesa que vai à dívida mas escapa ao défice: por exemplo, mas um exemplo pesadíssimo, as contribuições dos contribuintes para equilibrar os bancos desequilibrados, que têm sido quase todos. 

Quanto à instabilidade da geringonça, parece que é mesmo assim que a coisa funciona: como um borracho que ganha equilíbrio de cada vez que parece que vai entornar-se para um lado, caminha aos ziguezagues e não cai.

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Comentário colocado aqui

KENJI MIZOGUCHI NO NIMAS

Está a decorrer no Nimas a exibição de cópias restauradas de seis obras de Kenji Mizoguchi (1898-1956) que Jean-Luc Godard considerou "o melhor dos realizadores japoneses ou, simplesmente, um dos melhores realizadores do mundo" . 


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Vale a pena ir ao Nimas. 

Monday, April 17, 2017

O JOGO DA CABRA CEGA

Em Novembro de 2014 o país foi assustado por um surto de legionella que, vd. aqui, provocou a morte de 14 pessoas na área de Vila Franca de Xira, e infectando outras 400, mas, soube-se há um mês, que  o Ministério Público só conseguiu estabelecer um nexo de causalidade relativamente a oito, cf. aqui, e requereu o julgamento de nove arguidos. 
Em Maio do ano passado, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ameaçava avançar com um processo em tribunal contra o Estado se não fossem conhecidos os resultados da investigação do Ministério Público. 
Ontem, ouvi na Antena 1 que o Ministério Público decidiu arquivar o processo por "vazio da lei".  
Em conclusão: O Ministério Público andou dois anos e meio a investigar um crime para o qual, segundo agora alega, não existem instrumentos legais que permitam julgá-lo.
Será também por vazio da lei que não pode julgar-se o Ministério Público?

Dias antes, tinha-se sentido estarrecido o sr. Manuel Dias Loureiro com os fundamentos para o arquivamento do processo, iniciado oito anos antes, que o davam envolvido num negócio que determinou perdas de 40 milhões de dólares ao BPN, uma parcela da soma enorme que os contribuintes portugueses foram chamados a pagar. Estarrecido, porque a senhora procuradora intuíra ao fim de oito anos de investigação que o sr. Dias Loureiro terá praticado os actos que provocaram o desaparecimento dos 40 milhões mas não conseguira reunir provas de quem os recebera. 
Houve espanto geral perante os termos da decisão de mandar arquivar por falta de provas suficientes mas mantendo as suspeitas de ganhos ilícitos que impendiam sobre os srs. Dias Loureiro e Oliveira e Costa. 
Mas ninguém, com responsabilidades nos órgãos de soberania, denunciou sequer o mais ténue reflexo de estranheza. Deputados, Governo,  magistrados judiciais, Presidente da Repúblico, todos fizeram vista grossa perante tanta enormidade jurídica. 

A propósito: A União Europeia publicou a semana passada EU Justice Scoreboard 2017, um painel de avaliação anual da situação da justiça em cada um dos estados membros. 
E é estarrecedor observar a persistente lentidão da administração da justiça em Portugal.
Tribunais portugueses demoram em média 710 dias a resolver litígios. Apenas Chipre consegue pior: 1085 dias. Na Dinamarca, apenas 17.

Monday, April 10, 2017

HISTÓRIAS & SEGREDOS DE PAULA REGO



Imperdível - ****

Em exibição no Cinema da Villa-Cascais, e no Cinema Ideal, em Lisboa